sábado, 26 de outubro de 2013
EVANGELHO SEGUNDO BARTOLOMEU
Jerônimo e Epifânio citam o Evangelho de Bartolomeu, onde se registra a conversa
de Bartolomeu e Cristo com Belial, começando após a Ressurreição. Adão, o Diabo, o
Inferno, Enoch e Elias são mencionados ao longo da narrativa, além de Maria comentar
com os apóstolos detalhes da Concepção. Bastante significativo também é o trecho onde
Belial comenta sua Queda.
EVANGELHO DE BARTOLOMEU
Depois que Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou de entre os mortos, acercou-se dele
Bartolomeu e abordou-o desta maneira:
— Desvela-nos, Senhor, os mistérios dos céus.
Jesus respondeu-lhe:
— Se não me despojar deste corpo carnal não os poderei desvelar.
Bartolomeu, pois, acercando-se do Senhor, disse-lhe:
—Tenho algo a dizer-lhe, Senhor.
Jesus, por sua vez, respondeu:
— Já sei o que me vais dizer. Dize-me, pois, o que quiseres. Pergunta e eu te darei a
razão.
Bartolomeu, então, falou:
— Quando ias no caminho da cruz, eu te segui de longe. E te vi a ti, dependurado no
lenho, e os anjos que, descendo dos céus, te adoraram. Ao sobrevirem as trevas e eu
estava a tudo contemplando. Eu vi como desapareceste da cruz e só pude ouvir os
lamentos e o ranger de dentes que se produziram subitamente das entranhas da terra.
Dize-me, Senhor, onde foste depois da cruz.
Jesus, então, respondeu desta forma:
— Feliz de ti, Bartolomeu, meu amado, porque te foi dado contemplar este mistério.
Agora podes perguntar-me qualquer coisa que a ti ocorra, porque tudo dar-te-ei eu a
conhecer. Quando desapareci da cruz, desci aos Infernos para dali tirar Adão e a todos
que com ele se encontravam, cedendo às suplicas do arcanjo Gabriel.
Então disse Bartolomeu:
— E o que significa aquela voz que se ouviu?
Responde-lhe Jesus:
— Era a voz do Tártaro que dizia a Belial: a meu modo de ver, Deus se fez presente
aqui. Quando desci, pois, com meus anjos ao Inferno para romper os ferrolhos e as portas
de bronze, dizia ele ao Diabo: parece-me que é como se Deus tivesse vindo à terra. E os
anjos dirigiram seus clamores às potestades, dizendo: levantai, ó príncipes, as portas e
fazei correr as cortinas eternas, porque o Reino da Glória vai descer à terra. E o Inferno
disse: quem é esse Rei da Glória que vem do céu a nós? Mas quando já havia descido
quinhentos passos, o Inferno encheu-se de turbação e disse: parece-me que é Deus que
baixa à terra, pois ouço a voz do Altíssimo e não o posso agüentar. E o Diabo respondeu:
não percas o ânimo, Inferno; recobra teu vigor, que Deus não desce à terra. Quando voltei
a baixar outros quinhentos passos, os anjos e potestades exclamaram: alçai as portas ao
vosso Reino e elevai as cortinas eternas, pois es que está para entrar o Rei da Glória.
Disse de novo o Inferno: ai de mim! Já sinto o sopro de Deus. E disse o Diabo ao Inferno:
para que me assustas, Inferno? Se somente é um profeta que tem algo semelhante com
Deus ... Apanhemo-lo e levemo-lo à presença desses que crêem que está subindo ao céu.
Mas replicou o Inferno: e quem é entre os profetas? Informa-me. É, por acaso, Enoch, o
escritor mui verdadeiro? Mas Deus não lhe permite baixar à terra antes de seis mil anos.
Acaso te referes a Elias, o vingador? Mas este não poderá descer até o final do mundo.
Que farei? Para nossa perdição, é chegado o fim de tudo, pois aqui tenho escrito em
minha mão o número dos anos. Belial disse ao Tártaro: não te perturbes. Assegura bem
teus poderes e reforça os ferrolhos. Acredita-me, Deus não baixa à terra. Responde o
Inferno: não posso ouvir tuas belas palavras. Sinto que se me arrebenta o ventre e minhas
entranhas enchem-se de aflição. Outra coisa não pode ser: Deus apresentou-se aqui. Ai de
mim! Aonde irei esconder-me de seu rosto, da sua força do grande Rei? Deixa-me que
me esconda em tuas entranhas, pois fui criado antes de ti. Naquele preciso momento,
entrei. Eu o flagelei e o atei com correntes que não se rompem. Depois fiz sair a todos os
Patriarcas e voltei novamente para a cruz.
— Dize-me, Senhor — disse-lhe Bartolomeu. — Quem era aquele homem de talhe
gigantesco a quem os anjos levavam em suas mãos?
Jesus respondeu:
— Aquele era Adão, o primeiro homem que foi criado, a quem fiz descer do céu à
terra. E eu lhe disse: por ti e por teus descendentes fui pregado na cruz. Ele, ao ouvir isso,
deu um suspiro e disse: assim, rendo-me a ti, Senhor.
De novo disse Bartolomeu:
— Vi também os anjos que subiam diante de Adão e que entoavam hinos, mas um
destes, o mais esbelto de todos, não queria subir. Tinha em suas mãos uma espada de
fogo e fazia sinais somente a ti. Os demais rogavam que ele subisse ao céu, mas ele não
queria. Quando, porém, tu o mandaste subir, vi uma chama que saia de suas mãos e que
chegava à cidade de Jerusalém.
Disse Jesus:
— Era um dos anjos encarregados de vingar o trono de Deus. E estava suplicando a
mim. A chama que viste sair de suas mãos feriu o edifício da sinagoga dos judeus para
dar testemunho de mim, por terem eles me sacrificado.
Quando falou isso, disse aos apóstolos:
— Esperai-me neste lugar, porque hoje se oferece um sacrifício no paraíso e ali hei de
estar para recebê-los.
Falou Bartolomeu:
— Qual é o sacrifício que se oferece hoje no paraíso?
Jesus respondeu:
— As almas dos justos, que saíram do corpo, vão entrar hoje no Éden e, se eu não
estiver lá presente, não poderão entrar.
Bartolomeu continuou:
— Quantas almas saem diariamente deste mundo?
Disse-lhe Jesus:
— Trinta mil.—
Insistiu Bartolomeu:
— Senhor, quando te encontravas entre nós ensinando-nos tua palavra, recebia
sacrifícios no paraíso?
— Respondeu-lhe Jesus:
— Em verdade te digo eu, meu amado, que, quando me encontrava entre vós
ensinando-vos a palavra, estava simultaneamente sentado junto de meu Pai.
Disse-lhe Bartolomeu:
— Quantas almas nascem diariamente no mundo?
Responde-lhe Jesus:
— Uma só a mais do que as que saem do mundo.
Dizendo isto, deu-lhes a paz e desapareceu no meio deles.
Estavam os apóstolos em um lugar chamado Chiltura, com Maria, a Mãe de Jesus
Cristo. Bartolomeu, acercando-se de Pedro, André e João, disse-lhes:
— Por que não pedimos à cheia de graça que nos diga como concebeu ao Senhor e
como pôde carregar em seu seio e dar à luz o que não pôde ser gestado?
Eles vacilaram em perguntar-lhe.
Disse Bartolomeu a Pedro:
— Tu, como corifeu e nosso mestre que és, acerca-te e pergunta-lhe.
Mas, ao ver todos vacilantes e em desacordo, Bartolomeu acercou-se dela e disse:
— Deus te salve, Tabernáculo do Altísimo; aqui viemos todos os apóstolos a
perguntar-te como concebeste ao que é incompreensível, e como carregaste em teu seio
aquele que não pôde ser gestado, ou como, enfim, deste à luz tanta grandeza.
Maria respondeu:
— Não me interrogueis acerca deste mistério. Se começar a falar-vos dele, sairá fogo
de minha boca e consumirá toda a terra.
Eles insistiram e Maria, não querendo dar-lhes ouvidos, disse:
— Oremos.—
Os apóstolos puseram-se de pé atrás de Maria. Esta disse a Pedro:
— E tu, Pedro, que és chefe e grande pilar, estás de pé atrás de nós? Pois não disse o
Senhor que a cabeça do varão é Cristo e a da mulher é o varão?’
Eles replicaram:
— O Senhor plantou sua tenda em ti e em tua pessoa houve por bem ser contido. Tu
deves ser nossa guia na oração.
Maria, então, disse-lhes:
— Vós sois estrelas brilhantes do céu. Vós sois os que devem orar.
Disseram eles:
— Tu deves orar, pois que sois a Mãe do Rei Celestial.
Maria colocou-se diante deles e elevando as mãos aos céus começou a dizer:
— Ó Deus, tu que és o Grande, o Sapientíssimo, o Rei dos séculos, inexplicável,
inefável, aquele que com uma palavra deu consistência às magnitudes siderais, aquele
que fundamentou em afinada harmonia a excelsitude do firmamento, aquele que separou
a obscuridade tenebrosa da luz, aquele que alicerçou em um mesmo lugar os mananciais
das águas; tu que deste base à terra, tu que não podendo ser contido nos sete céus, te
dignaste a ser contido em mim sem dor alguma, sendo Verbo Perfeito do Pai, por quem
todas as coisas foram feitas; da glória, Senhor, a teu magnífico nome, manda-me falar na
presença de teus santos apóstolos.
Terminada a oração, disse:
— Sentemo-nos no chão e vem tu, Pedro, que és o chefe. Senta-te à minha direita e
apoia com tua esquerda meu braço. Tu, André faz o mesmo do lado esquerdo. Tu, João,
que és virgem, segura meu peito. E tu, Bartolomeu, põe-te de joelhos atrás de mim e
apóia minhas costas para que, ao começar falar, meus ossos não se desarticulem.
Quando fizeram isso, começou ela a falar:
— Estando eu no templo de Deus, aonde recebia alimento das mãos de um anjo,
apareceu-me certo dia uma figura que me pareceu ser angélica. Mas seu semblante era
indescritível, e não levava nas mãos nem o pão nem o cálice, como o anjo que
anteriormente tinha vindo a mim. Eis que de repente, rasgou-se o véu do templo e
sobreveio um grande terremoto. Joguei-me por terra, não podendo suportar o semblante
do anjo, mas ele estendeu-me sua mão e levantou-me. Olhei para o céu e vi uma nuvem
de orvalho que aspergiu-me da cabeça aos pés. Então ele enxugou-me com o seu manto e
disse-me: salve, cheia de graça, cálice da eleita. Deu, então, um golpe com sua mão
direita e apareceu um pão muito grande, que colocou sobre o altar do templo. Comeu em
primeiro lugar e em seguida deu-o a mim também. Deu outro golpe com a ourela
esquerda de sua túnica e apareceu um cálice muito grande e cheio de vinho. Bebeu em
primeiro lugar e em seguida deu-o a mim também. E meus olhos viram um cálice
transbordante e um pão. Disse-me, então: ao cabo de três anos, eu te dirigirei novamente
minha palavra e conceberás um filho pelo qual será salva toda a criação. Tu és o cálice do
mundo. A paz esteja contigo, minha amada, e minha paz te acompanhará sempre. Após
isto, desapareceu de minha presença, ficando o templo como estava anteriormente.
Ao terminar de falar, começou a sair fogo de sua boca. Quando o mundo estava para
ser destruído, apareceu o Senhor que disse a Maria:
— Não desveles este mistério, porque se o fizerdes no dia de hoje sofrerá a criação
inteira um cataclismo.
Os apóstolos, consternados, temeram que o Senhor pudesse irar-se contra eles.
O Senhor caminhou com eles até o Monte Moria e se sentou no meio deles. Como
tinham medo, hesitavam em perguntar-lhe. Jesus incitou-os:
— Perguntai-me o que quiserdes, pois dentro de sete dias partirei para o meu Pai e já
não estarei visível a vós nesta forma.
Eles, vacilantes, disseram:
— Permite-nos ver o abismo, como nos prometeste.
Respondeu Jesus:
— Melhor seria para vós não verdes o abismo; mas, se o queres, segui-me e o vereis.
Ele os conduziu ao local chamado Cherudik, cujo significado é lugar de verdade, e
fez um sinal aos anjos do Ocidente. A terra abriu-se como um livro e o abismo apareceu.
Ao vê-lo, os apóstolos prostraram-se em terra, mas o Senhor os ergueu dizendo:
— Não vos dizia, há pouco, que não vos faria bem verdes o abismo?’
Jesus tomou-os de novo e pôs-se a caminho do monte das Oliveiras. Pedro disse a
Maria:
— Oh tu, cheia de graça, roga ao senhor que nos revele os arcanjos celestiais.
Maria respondeu a Pedro:
— Oh tu, pedra escolhida por acaso não prometeu ele fundar sua Igreja sobre ti?
Pedro insistiu:
— A ti, que és um amplo tabernáculo, cabe perguntar.
Disse Maria:
— Tu és a imagem de Adão e este não foi formado da mesma maneira que Eva.
Observa o sol e vê que, tal qual Adão, ele se avantaja em brilho aos demais astros.
Observa também a lua e vê como está enodoada pela transgressão de Eva. Porque pôs
Adão ao oriente e Eva ao Ocidente, ordenando a ambos que ofereçam a face mutuamente.
Quando chegaram ao cimo do monte o Senhor afastou-se um pouco deles, e Pedro
disse a Maria:
— Tu és aquela que desfez a infração de Eva, transformando-a de vergonha em
regozijo.
Quando Jesus retornou, disse-lhe Bartolomeu:
— Senhor, mostra-nos o inimigo dos homens para que vejamos quem é e quais são
suas obras, já que nem mesmo de ti se apiedou, fazendo-te pender do patíbulo.
Jesus, fixando nele seu olhar, disse-lhe:
— Teu coração é duro. Não te é dado ver isso que pedes.
Então, Bartolomeu, todo agitado, caiu aos pés de Jesus, dizendo:
— Jesus Cristo, chama inextinguível, criador da luz eterna, tu que hás dado a graça
universal a todos os que te amam e que nos hás outorgado por meio da Virgem Maria o
fulgor perene da tua presença neste mundo, concede-nos o nosso desejo.
Quando Bartolomeu acaba de falar, o Senhor ergueu-se dizendo:
— Vejo que é teu desejo ver o adversário dos homens. Mas lembra-te que, ao fitá-lo,
não apenas tu mas também os demais apóstolos e Maria caireis por terra e ficareis como
mortos.
Mas todos lhe disseram:
— Senhor, vejamo-lo.
Então fê-los descer do monte das Oliveiras. E, havendo lançado um olhar enfurecido
aos anjos que custodiavam o Tártaro, ordenou a Micael que fizesse soar a trombeta
fortemente. Quando este o fez, Belial subiu aprisionado por 6 064 anjos e atado com
correntes de fogo.
O dragão tinha de altura mil e seiscentos côvados e de largura, quarenta. Seu rosto era
como uma centelha e seus olhos, tenebrosos. Do seu nariz saía uma fumaça mal-cheirosa
e sua boca era como a face de um precipício.
Ao vê-lo, os apóstolos caíram por terra sobre os rostos e ficaram como que mortos.
Jesus acercou-se deles, ergueu-os e infundiu-lhes ânimo.
Disse a Bartolomeu:
— Pisa com teu próprio pé sua cerviz e pergunta-lhe quais foram suas obras até agora
e como engana os homens.
Jesus estava de pé com os demais apóstolos. Bartolomeu, temeroso, ergueu a voz e
disse:
— Bendito seja desde agora e para sempre o nome de teu reino imortal.
Quando ele acabou de dizer isso, Jesus o exortou de novo:
— Anda, pisa a cerviz de Belial.
Bartolomeu caminhou apressadamente para Belial e pisou-lhe o pescoço, deixando-o
a tremer.
Bartolomeu fugiu assustado, dizendo:
— Deixa-me pegar a borda de tuas vestes para que me atreva a aproximar-me dele.
Jesus respondeu-lhe:
— Não podes tocar a fímbria das minhas vestes porque não são as mesma que eu
tinha antes de ser crucificado.
Disse-lhe Bartolomeu:
— Tenho medo, Senhor, de que, assim como não se compadeceu dos anjos, da
mesma maneira me esmague também a mim.
Respondeu Jesus:
— Mas por acaso não se acertaram todas as coisas graças à minha palavra e à
inteligência de meu Pai? A Salomão se submeteram os espíritos. Vai tu, pois, em meu
nome, e pergunta-lhe o que quiseres.
Ao fazer Bartolomeu o sinal da cruz e orar a Jesus, irrompeu um incêndio e as vestes
do apóstolo foram tomadas pelas chamas.
Disse-lhe então Jesus de novo:
— Pisa, como te disse, na cerviz, de maneira que possas perguntar-lhe qual é o seu
poder.
Bartolomeu, pois, se foi e pisou-lhe a cerviz, que trazia oculta até as orelhas, dizendolhe:
— Dizei-me quem és tu e qual é teu nome.
Bartolomeu, afrouxou-lhe um pouco as ligaduras e lhe disse:
— Conta tudo quanto tens feito.
Respondeu Belial:
— A princípio me chamava Satanail, que quer dizer mensageiro de Deus, Mas, desde
que não reconheci a imagem de Deus, meu nome foi mudado para Satanás, que quer dizer
anjo guardião do tártaro.
Bartolomeu falou de novo:
— Conta tudo sem nada ocultar.
Ele respondeu:
— Juro-te pela glória de Deus que, ainda que quisesse ocultá-lo, ser-me-ia
impossível. Está aqui presente aquele que me acusa. E se me fosse possível vos faria
desaparecer a todos da mesma maneira que o fiz com aquele que pregou para vós.
Também fui chamado primeiro anjo porque, quando Deus fez o céu e a terra, apanhou um
punhado de fogo e formou-me a mim primeiro e o segundo foi Micael, e o terceiro
Gabriel, e o quarto Rafael, e o quinto Uriel, o sexto Xathsnael e assim outros seis mil
anjos, cujos nomes me é impossível pronunciar, pois são os lictores de Deus e me
flagelam sete vezes a cada dia e sete vezes a cada noite. Não me deixam um momento e
são os encarregados de minar minhas forças. Os anjos vingadores são estes que estão
diante do trono de Deus. Eles foram criados primeiro. Depois destes foi criada a multidão
dos anjos: no primeiro céu há cem miríades; no segundo, cem miríades; no terceiro, cem
miríades; no quarto, cem miríades; no quinto, cem miríades, no sexto, cem miríades; no
sétimo, cem miríades. Fora do âmbito dos sete céus está o primeiro firmamento, onde
residem as potestades que exercem sua atividade sobre o homem. Há também outros
quatro anjos: Um é Bóreas, cujo nome é Vroil Cherum, tem na mão uma vara de fogo e
neutraliza a força que a umidade exerce sobre a terra, para que esta não chegue a secar.
Outro anjo está no Aquilon e seu nome é Elvisthá. Etalfatha tem a ser cargo o Aquilon. E
ambos, ele e Mauch, que está na Bóreas, mantêm em suas mãos tochas incendiadas e
varas de fogo para neutralizar o frio, o frio dos ventos, de maneira que a terra não se
resseque e o mundo não pereça. Cedor cuida do Austro, para que o sol não perturbe a
terra, pois Levenior apaga a chama que sai da boca daquele, para que a terra não seja
abrasada. Há outro anjo que exerce domínio sobre o mar e reduz o empuxo das ondas. O
mais não estou a revelar.
Insistiu Bartolomeu:
— Anda dize-me, malfeitor e mentiroso, ladrão desde o berço, cheio de amargura,
engano, inveja e astúcia, velho réptil, trapaceiro, lobo rapace, como te arrumas para
induzir os homens a deixar o Deus vivo, criador de todas as coisas, que fez o céu e a terra
e tudo que neles está contido? Pois és sempre inimigo do gênero humano.
Disse o Anticristo:
— Dir-te-ei. Es aqui uma roda que sobe do abismo e tem sete facas de fogo. A
primeira delas tem doze canais.
Perguntou-lhe Bartolomeu:
— Quem está nas facas?
Respondeu o Anticristo:
— No canal ígneo da primeira faca ficam os inclinados ao sortilégio, à adivinhação e
à arte de encantamento e também os que neles crêem e o buscam, já que por malícia de
seu coração buscaram adivinhações falsas. No segundo canal de fogo vão os blasfemos,
que maldizem de Deus, de seu próximo e das Escrituras. Também ficam ai os feiticeiros e
os que os buscam e lhes dão crédito. Entre os meus encontram-se também os suicidas, os
que se lançam à água, ou se enforcam, ou se ferem com a espada. Todos esses estarão
comigo. No terceiro canal vão os homicidas, os que se entregam à idolatria e os que se
deixam dominar pela avareza ou pela inveja, que foi o que me arrojou do céu à terra. Nos
demais canais vão os perjuros, os soberbos, os ladrões, os que desprezam os peregrinos,
os que não dão esmolas, os que não ajudam os encarcerados, os caluniadores, os que não
amam o próximo e os demais pecadores que não buscam a Deus ou o servem debilmente.
A todos esses eu os submeto ao meu arbítrio.
Tornou, então, Bartolomeu:
— Dize-me, diabo mentiroso e insincero! Fazes tu essas coisas pessoalmente ou por
intermédio de teus iguais?
Respondeu-lhe o Anticristo:
—Oh se eu pudesse sair e fazer essas coisas por mim mesmo! Em três dias destruiria
o mundo inteiro. Desgraçadamente, porém, nem eu nem nenhum dos que foram arrojados
juntamente comigo podemos sair. Temos, todavia, outros ministros mais fracos que, por
sua vez, atraem outros colegas ao quais emprestamos nossa vestimentas e mandamos
semear insídias que enredem as almas dos homens com muita suavidade, afagando-as,
para que se deixem dominar pela embriaguez, a avareza, a blasfêmia, o homicídio, o
furto, a fornicação, a apostasia, a idolatria, o abandono da Igreja, o desprezo da Cruz, o
falso testemunho, enfim, tudo o que Deus abomina. Isso é o que nós fazemos. A uns nós
os deitamos ao fogo. A outros, nós os lançamos das árvores para que se afoguem. A uns
rompemos pés e mãos e a outros lhes arrancamos os olhos. Estas e outras coisas são o que
fazemos. Oferecemos ouro e prata e tudo mais que é cobiçável no mundo e àqueles que
não conseguimos que pequem despertos fazemo-los pecar adormecidos. Também direi os
nomes dos anjos de Deus que nos são contrários. Um deles chama-se Mermeoth, que é o
que domina as tempestades. Meus satélites o conjuram e ele lhe dá permissão para que
habitem onde queiram; mas ao voltar se incendeiam. Há outros cinqüenta anjos que têm
debaixo do seu poder o raio. Quando algum espírito, dentre os nossos, quiser sair pelo
mar ou pela terra, esses anjos desferem contra ele uma descarga de pedra. Com isso
ateiam o fogo e fazem fender as rochas e as árvore. E quando conseguem dar conosco nos
perseguem, obedecendo ao mandato daquele a quem servem. Graças a esse mandato, tu
podes exercer poder sobre mim, pelo que me vejo obrigado, muito a meu pesar, a revelarte
o segredo e as coisas que não pensava dizer-te.
Continuou Bartolomeu:
— Que tens feito e o que continuas fazendo ainda? Revela-me, Satanás!
Este respondeu:
— Tinha pensado não confessar-te todo o segredo, mas, por aquele que preside ao
Universo, cuja cruz me lançou ao cativeiro, não posso ocultar-te nada.
Disse o Senhor Jesus a Bartolomeu:
— Afrouxa-lhes as ligaduras e ordena-lhe que retorne a seu lugar até a vinda do
Senhor. Quanto ao mais, já me encarregarei eu mesmo de revelar-vos. Porque é
necessário nascer de novo para que aqueles que passaram pela prova possam entrar no
Reino dos céus, de onde foi expulso este inimigo por sua soberba, juntamente com
aqueles de cujo conselho se servia.
Após isso, disse o apóstolo Bartolomeu ao Anticristo:
— Volta condenado e inimigo dos homens, ao abismo até a vinda de Nosso Senhor
Jesus Cristo, o qual há de vir julgar os vivos e mortos e ao mundo inteiro por meio do
fogo e a condenar-te a ti e a todos os teus semelhantes. Não tentes daqui em diante
continuar praticando isso que foste obrigado a revelar.
Satanás, lançando vozes misturadas com rugidos e gemidos, disse:
— Ai de mim, que tenho me servido de mulheres para enganar a tantos e acabei por
ser burlado por uma virgem! Agora vejo-me aferrolhado e atado com cadeias de fogo
pelo seu filho e estou ardendo de péssima maneira. Ó virgindade, que estás sempre contra
mim! Ainda não se passaram os sete mil anos. como, pois, me vi condenado a confessar
as coisas que acabo de dizer?
O apóstolo Bartolomeu, admirando a audácia do inimigo e confiando no poder do
salvador, disse a Satã:
— Dize-me, imundíssimo demônio, a causa pela qual foste banido do mais alto do
céu. Pois prometeste revelar-me tudo.
Respondeu o Diabo:
— Quando Deus se propôs a formar Adão, pai dos homens, à sua imagem, ordenou a
quatro anjos que trouxessem terra das quatro partes do globo e água dos quatro rios do
paraíso. Eu estava no mundo naquela ocasião e o homem passou a ser um animal vivente
nos quatros rincões da terra onde eu estava. Então Deus o abençoou porque era sua
imagem. Depois vieram render-lhe suas homenagens Micael, Gabriel e Uriel. Quando
voltei ao mundo, disse-me o arcanjo Micael: adora essa figura que Deus fez segundo sua
vontade. Eu me dei conta de que a criatura havia sido feita de barro e disse: eu fui feito de
fogo e água e antes do que este. Eu não adoro o barro da terra. De novo me disse Micael:
adora-o, antes que o Senhor se aborreça contigo. Eu repliquei: o Senhor não se irritará
comigo. Eu vou colocar meu trono contra o dele. Então Deus enfureceu-se comigo,
mandou abrir as comportas do céu e me arrojou à terra. Depois que fui expulso,
perguntou o Senhor aos demais anjos que estavam às minhas ordens se se dispunham a
render-se diante da obra que havia feito com suas mãos e eles disseram: assim como
vimos que nosso chefe não dobrou sua cerviz, da mesma maneira não adoraremos um ser
inferior a nós. Naquele momento mesmo foram eles expulsos como eu. Ficamos
adormecidos durante um período de quarenta anos. Ao despertar, percebi que dormiam os
que estavam abaixo de mim e os despertei, seguindo meu capricho. Depois discuti com
eles uma forma de lograr o homem por cuja causa fui expulso do céu. Tomada a
resolução, descobri como podia seduzi-lo. Tomei em minhas mãos umas folhas de
figueira, enxuguei com elas o suor do meu peito e das minhas axilas e atirei-as ao rio.
Eva, então, ao beber daquela água, conheceu o desejo carnal e o ofereceu ao marido. A
ambos pareceu doce o sabor e não deram conta do amargo de haverem prevaricado. Se
não houvessem bebido dessa água, jamais poderia eu enredá-los, pois outro meio eu não
tinha para poder superá-los senão esse.
O apóstolo Bartolomeu pôs-se a orar, dizendo :
— Oh, Senhor Jesus cristo! Ordena-lhe que entre no Inferno porque se mostra
insolente comigo.
Disse Jesus Cristo a Satã:
—Vai, desce ao abismo e fica ali até minha chegada.
No mesmo instante o Diabo desapareceu.
Bartolomeu, caindo aos pés de Nosso Senhor Jesus Cristo, começou a dizer, banhado
em lágrimas:
— Abba! Pai! Tu que continuas sendo único e glorioso Verbo do Pai, por que foram
feitas todas as coisas; tu, a quem não te puderam conter os sete céus e que tiveste por
habitar o seio de uma Virgem; a quem a Virgem gerou e deu à luz sem dor; tu, Senhor,
elegeste aquela a quem verdadeiramente pudeste chamar mãe, rainha e escrava. Mãe,
porque por ela te dignaste descer e dela tomaste carne mortal. E rainha porque a
constituíste rainha das virgens. Tu que chamas os quatro rios e eles obedecem tuas ordens
e se apressam a servi-te. O primeiro, o rio dos Filósofos, para a unidade da Igreja e da Fé,
que foi revelada no mundo. O segundo, o Geon, porque foi feito da terra, ou também
pelos dois testamentos. O terceiro, o tigre, porque aos que cremos no Pai, no Filho e no
Espirito Santo, Deus único por quem foram feitas todas as coisas no céu e na terra, nos
foi revelada a Trindade sempiterna, que está nos céus. O quarto, o Eufrates, porque tu te
dignaste saciar toda alma vivente por meio do banho da regeneração, que representava a
imagem dos Evangelhos que correm por toda a órbita da Terra e que te dignaste anunciar
por teus servos, para que, por meio da confissão e da fé, sejam salvos todos os que crêem
em teu nome grande e terrível e em teus santos Evangelhos, de maneira que possam
alcançar a vida que ainda não possuem.
Continuou Bartolomeu:
— É lícito revelar estas coisas a todos os homens.
Disse-lhe Jesus:
— Pode dá-las a conhecer a todos que sejam crentes e observem este mistério que
acabo de desvendar-vos. Pois entre os gentios há alguns que são idólatras, ébrios,
fornicadores, maldosos, feiticeiros, malvados, que seguem as artimanhas do inimigo e
que odeiam o próximo. Todos esses não são dignos de ouvir esse mistério. Mas são
dignos de ouvi-lo todos os que guardam meus mandamentos, os que recebem em si as
palavras de Vida eterna que não têm fim, e todos os que têm fim, e todos os que têm parte
nos céus com os Santos, justos e fiéis no reino do meu Pai. Todos aquele que se hajam
conservado imunes ao erro da iniquidade e hajam seguindo o caminho da salvação e da
justiça, devem ouvir este mistério. E tu, Bartolomeu, és feliz, juntamente a tua geração.
Bartolomeu, ao escrever todas essas coisas que ouviu dos lábios de Nosso Senhor
Jesus Cristo, mostrou toda sua alegria no rosto e bendisse o Pai, o Filho e o Espirito
Santo, dizendo:
— Glória a Ti, Senhor, redentor dos pecadores, vida dos justo, amante da castidade.
O Senhor disse, então, batendo no peito:
— Eu, sou bom, manso e benigno, misericordioso e clemente, forte e justo, admirável
e santo, médico e defensor de órfãos e viúvas, remunerador dos justos e fiéis, juiz de
vivos e mortos, luz de luz e resplendor da claridade, consolador dos atribulados e
cooperador dos pupilos; Alegrai-vos comigo, amigos meus, e recebei meu presente. Hoje
vou dar-vos um dom celeste. A todos os que em mim tenham depositado suas aspiração e
sua fé, e a vós, estou galardoando com a vida eterna.
Bartolomeu e os demais apóstolos puseram-se a glorificar o Senhor Jesus, dizendo:
— Glória a ti, pai dos céus, rei da vida eterna, foco de luz inextinguível, sol radiante e
resplendor da claridade perpétua, reis dos reis, senhor dos senhores. A ti seja dada a
magnificência, a glória, o império, o reino, a honra e o poder, juntamente com o Pai e o
Espirito Santo. Bendito seja o Senhor Deus de Israel porque nos visitou e redimiu seu
povo da mão de seus inimigos e usou conosco de misericórdia e justiça. Louvai a Nosso
Senhor Jesus Cristo todas as nações e crede que ele é o juiz de vivos e mortos e o
salvador dos fiéis. O qual vive e reina, juntamente com o Pai e o Espirito Santo, por todos
os séculos dos séculos.
Amém.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Nínive
1. Nome
Essa é a transliteração hebraica do nome assírio Ninus, um dos nomes da deusa Istar. O sinal cuneiforme consistia em um peixe dentro de um cercado. O termo hebraico nun significa «peixe», embora não haja conexão real entre esses dois vocábulos. O termo grego Nínos, como designação dessa cidade, ocorreu por assimilação ao nome de um herói grego. Essa palavra era comum nos antigos registros em escrita cuneiforme, na época do reinado de Gudea (século XXI A.C.) e de Hamurabi (cerca de 1700 A.C). Após o século XII A.C., Nínive tornou-se uma das residências reais da Assíria. O antigo título da cidade, conforme já afirmamos, era Ninus.
2. Localização e Fundação
Os cômoros que assinalam o antigo local de Nínive ficam situados à margem oriental do rio Tigre, diante da moderna cidade de Mosul, no norte do Iraque (Mesopotâmia superior). A Bíblia informa-nos de que foi Ninrode quem fundou essa cidade, após ter fundado o mais antigo império babilônico sobre o qual se tem conhecimento. Ver Gn 10:8-10.
3. Esboço Histórico
a. 4500 A.C. Evidências arqueológicas mostram-nos que já havia ocupação humana do local antes da fundação tradicional de Nínive, por Ninrode.
b. 2450 A.C. Os eruditos pensam que Nínive foi fundada por Ninrode, por volta dessa data. As datas remotas são inseguras, mas é certo que não podemos ampliar as datas de Ninrode para antes de 4500 A.C. Assim, supõe-se que a fundação da cidade ocorreu em algum ponto mais tarde que o tempo em que a área começou a ser ocupada, o que ocorreu, de fato, nada menos que dois mil anos depois.
c. 2300 A.C. Nínive era um lugar florescente, ao tempo de Sargão e seus filhos. Essa família restaurou o templo de Istar (Inana), em Nínive.
d. 2200 A.C. Gudea, de Lagase, — encetou campanhas militares na área.
e. 1800 A.C. Nínive tornou-se um centro de culto religioso e de comércio, na época de reis assírios, como Sansi-Adade I. Ele restaurou o templo de Istar, tal como o fez Hamurabi, de Babilônia. Hamurabi conseguiu predominar sobre a Assíria cerca de vinte anos após Sandi-Adade I. Foi por essa época que ele publicou seu famoso código legal, «que glorificou o nome de Istar».
f. 1400 A.C. Os reis de Mitani exerciam pelo menos 'alguma forma de controle sobre Nínive, nessa época. Dusrata enviou uma estátua de Istar, de Nínive, ao «Egito, com o propósito de curar o enfermo Faraó. Dessa época é que se originou o famoso hino a Istar, ao idioma hurriano.
g. 1300 A.C. Nínive voltou ao poder assírio. Assur-Ubalite I reconstruiu o templo de Israel. Salmaneser I e Tuculti-Ninurta I ampliaram e fortificaram a cidade.
h. 1100 A.C. Tiglate-Pileser I construiu seu palácio em Nínive.
i. 800 A.C. Assurnasirpal II construiu seu palácio em Nínive.
j. 860 A.C. O profeta Jonas evangeliza Nínive com sucesso. Jonas é o João 3:16 do Antigo Testamento.
l. 722 A.C. Sargão II construiu seu palácio em Nínive. Menaém, rei de Israel (744 A.C), paga tributo à Assíria (ver II Reis 15:20). Teve lugar, nessa data, o cativeiro do reino do norte, Israel. Em Nínive houve cortejos celebrando a vitória (ver Is 8:3).
m. 704-681 A.C. Nesse período, Nínive tornou-se a capital do império assírio, por instigação de Senaqueribe. Como capital do império assírio, Nínive tornou-se a mais importante cidade do mundo oriental da época. Senaqueribe adornou Nínive a um estado de magnificência. A arqueologia tem descober¬to provas sobre isso, e também há muitos informes históricos que o confirmam. O palácio de Senaqueribe tinha 9.178 m(2), com paredes que tinham relevos retratando as suas vitórias, incluindo o cerco de Laquis e a cobrança de tributos a Judá. Ele construiu ou ampliou muralhas na cidade; introduziu um novo sistema de suprimento de água, com canais que vinham desde o rio Gomel, em Baviã. Nínive dispunha de quinze portões principais (cinco dos quais os arqueólogos têm escavado com sucesso). Cada um desses portões era guardado por um touro gigantesco. Senaqueribe também construiu parques, jardins botânicos e um jardim zoológico, além de haver edificado a muitos edifícios. O trecho de II Reis 18:15 revela-nos que ele cobrou tributo de Ezequias, rei de Judá.
n. 681 A.C. Senaqueribe foi assassinado, e seu filho caçula e sucessor, Esar-Hadom, subiu ao trono, após ter derrotado aos rebeldes, que haviam conseguido controlar por algum tempo a coroa. Esar-Hadom construiu em Nínive um palácio, embora preferisse passar a maior parte de seu tempo em Cala.
o. 669-627 A.C. Durante os governos dos filhos de Esar-Hadom, Assur-Etil-Ilani e Sin-Sar-Iscum, a economia da nação declinou, e a nobreza assíria revoltou-se.
p. 612 A.C. Uma força combinada de medos e babilônios atacou e capturou a cidade de Nínive, e assim desapareceu para sempre o cruel império assírio. Esse acontecimento foi eloqüentemente referido pelos profetas Naum e Sofonias (ver especialmente Sf 2:13-15). O local foi subseqüente¬mente habitado, mas nunca mais adquiriu qualquer significação especial.
Na época do profeta Jonas, Nínive contava com uma população de cerca de cento e vinte mil habitantes; Calá (Nonrude) tinha cerca de setenta mil habitantes. Ver Jonas 1:2 e 3:2 quanto a descrições.
4. Arqueologia
Nínive tem sido intermitentemente escavada por expedições arqueológicas inglesas, através de um período de mais de cem anos. As principais descobertas têm sido magníficas esculturas, porções da cidade antiga, muralhas, templos, palácios e residências; mas, acima de tudo, a maior biblioteca de tabletes em escrita cuneiforme que jamais foi descoberta, pertencente aos tempos antigos. As muralhas da cidade, claramente vistas em esboço, estendem-se por quase treze quilômetros em redor, encerrando dois importantes cômoros. Um desses cômoros chama-se Nebi Yunus. De acordo com as lendas locais (provavelmente incorretas), esse cômoro contém o túmulo do profeta Jonas. No local há uma moderna aldeia, com um cemitério e uma mesquita, razão pela qual não é possível fazerem-se ali muitas escavações. Porém, o cômoro da parte norte é um dos maiores da Mesopotâmia. Mais de catorze milhões de toneladas de terra já foram removidas da área. Três palácios reais foram desenterrados, além de dois templos. Os palácios de Senaqueribe e de Assurbanipal II, o templo de Istar e o templo de Nabu. Porções de várias outras edificações têm sido, igualmente, trazidas à luz.
Além dessas ruínas relativamente recentes, uma prospecção profunda mostrou que o homem vem habitando naquele lugar desde tempos pré-históricos. Desde o ano de 1966, o Departamento de Antigüida¬des do Iraque reabriu o palácio de Senaqueribe, tendo aberto áreas adicionais para a investigação arqueoló¬gica. Um trabalho de alargamento de estradas, em Nebi Yunus, descobriu estátuas egípcias, trazidas por Assurbanipal, após ter capturado a cidade egípcia de Mênfis, em duas campanhas militares no Egito.
5. A Biblioteca Real de Nínive
Mais de dezesseis mil tabletes de argila, inteiros ou em fragmentos, representando dez mil textos diferen¬tes, foram encontrados em Quyunjiq. Por esse motivo, a coleção recebeu o nome de Coleção Quyunjiq. Esses tabletes estão ligados, principalmente a Assurbani¬pal, que pode ser considerado um dos poucos monarcas literatos do mundo antigo. A maior parte desse material representa originais trazidos da Babilônia, ou, então, cópias de textos encontrados na Babilônia, mas que receberam nova forma, por parte de escribas aptos, em Nínive. Uma grande variedade de gêneros literários está ali representada; épicos bem conhecidos, como aqueles da criação e do dilúvio (Gilgamés), e versões do mesmo; lendas, explicações de ritos religiosos e literatura religiosa, hinos, orações, listas de divindades a serem honradas, cartas pessoais, textos históricos, documentos bilíngües que mostra o uso tanto do acádico quanto do sumério. Esses textos têm servido de prestimoso auxilio lingüístico e histórico, lançando alguma luz sobre as narrativas bíblicas da criação e do dilúvio. Essa biblioteca tornou a literatura assíria melhor conheci¬da que a de qualquer outro antigo povo semita, excetuando, naturalmente, os hebreus, cuja Bíblia (o Antigo Testamento), destaca-se como uma obra
incomparável nesse sentido.
6. A História de Jonas
Nenhuma descoberta histórica secular tem confirmado o registro bíblico a respeito da missão bem-sucedida do profeta Jonas em Nínive. Não obstante, esse livro é a melhor evidência de que dispomos, no Antigo Testamento, acerca do amor de Deus pelos povos de todas as nações. O livro de Jonas é o João 3:16 do Antigo Testamento.
Bibliografia (AM ND PAR(1955) TH THU Z)
O Arrependimento e a Conversão dos Ninivitas 20/01/2013
Jn. 3.4-10
Int.- Jonas nasceu em Gate-Efer, cidade situada a uma hora de distância de Nazaré. Diz a lenda judaica que era filho da viúva de Sarepta, aquela a quem Elias ressuscitara. Não sabemos se isso era verdade, mas provavelmente foi discípulo do grande profeta Eliseu, a quem sucedeu como profeta.
Jonas viveu durante o reinado de Jeroboão II e cooperou para tornar o reino de Israel muito poderoso e próspero. Jonas foi estadista famoso.
Deus está neste livro. Deus está cuidando do seu profeta; Deus está agindo.
- Deus preparou um grande peixe.
- Deus fez nascer uma planta.
- Deus enviou um verme.
- Deus mandou um vento calmoso oriental.
Nínive era uma das maiores cidades do mundo, situada à margem oriental do Tigre, cerca de seiscentos quilômetros do Mar Mediterrâneo. Era a capital da Assíria, que imperava naqueles dias. A fortaleza da cidade media mais ou menos cinquenta quilômetros de extensão por dezesseis de largura. Nínive tinha um aspecto admirável. Havia cinco muralhas e três fossos que circundavam a cidade. As muralhas da cidade tinham trinta metros de altura e permitiam que quatro carros corressem lado a lado sobre elas. Possuía grandes e belos palácios com os mais lindos jardins. Quinze portas, guardadas por colossais leões e touros, davam acesso à cidade.
Nínive era tão grande em iniquidade quanto em riqueza e poder. Os ninivitas eram conhecidos pela crueldade com que tratavam os seus inimigos.
- A medida da iniquidade dos ninivitas tinha chegado aos Céus.
Jn. 1.2: Porque a sua malícia subiu até mim.
- Deus tem uma tolerância de pecados das nações.
- Quando Deus mandou o dilúvio sobre a terra, a Bíblia fala que a terra estava cheia de violência.
- Mas da mesma forma que Deus deu uma oportunidade a humanidade, ao mandar Noé construir a arca e ser um pregoeiro da justiça; para os ninivitas Deus também daria uma oportunidade.
- Foi por isso que Deus mandou o profeta Jonas para Nínive.
Rm. 5.20: Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça.
I- A Grande Misericórdia de Deus Para Com os Ninivitas.
Dois acontecimentos se destacam no livro de Jonas: Um é o grande peixe engolindo Jonas, e o outro, a possibilidade de uma grande cidade pagã como Nínive converter-se em poucos dias pela instrumentalidade de um desconhecido missionário estrangeiro.
Lc. 11.32: Os homens de Nínive se levantarão no Dia do Juízo com esta geração e a condenarão; pois se converteram com a pregação de Jonas; e eis aqui está quem é maior do que Jonas.
- Alguém maior do que Jonas pregou-lhes o arrependimento e foram testemunhas de Seus milagres. Eles, porém, rejeitaram Sua mensagem de juízo e graça e o crucificaram na cruz do calvário.
- Deus não quer que ninguém se perca mas que venham ao conhecimento da verdade.
I Tm. 2.3,4: Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador.
Que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade.
- Deus quer salvar todos os povos.
- A misericórdia de Deus alcançou os ninivitas.
- As misericórdias de Deus são imensas.
Lm. 3.22: As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim.
- Você está aqui esta noite por causa da misericórdia de Deus.
- Nenhum de nós temos condições por nós mesmos para alcançarmos a salvação.
- A grande misericórdia de Deus te alcançou.
I- A Bíblia Fala Que os Habitantes de Nínive se Arrependeram.
- Os ninivitas não tiveram privilégios como Israel.
- Os ninivitas ouviram somente um profeta, e ainda um profeta insensível, que não tinha interesse que os homens de Nínive se convertessem e fossem salvos.
- Os ninivitas eram um povo cruel e inimigos de Israel, por isso que Jonas queria que Deus cumprisse o Seu juízo sobre eles.
- Os ninivitas ouviram Jonas uma vez só e bem brevemente.
- Mas foi o suficiente para eles se arrependerem.
- O povo simples de Nínive se arrependeu primeiro.
- Depois foram os nobres.
- O despertamento religioso começou com o povo.
- Imagine uma cidade como o Rio de Janeiro arrependendo-se e convertendo-se a Deus num só dia por causa da pregação de um profeta moderno. Seria o milagre dos séculos. Foi o que aconteceu com Nínive, quando Jonas pregou em seus dias.
II- A Mensagem de Jonas Era Muito Desanimadora.
- Nínive ouviu somente ameaças, nenhum convite para a conversão.
- Jonas não anunciou perdão, nem mesmo arrependimento.
- Jonas pregou somente um severo juízo, que só viveriam mais quarenta dias.
- Jonas pregou sem motivação.
- Sua mensagem não continha nenhum sinal de amor.
- Jonas não pediu a misericórdia de Deus para eles, como Abraão fez com Sodoma e Gomorra, e como Moisés pediu para o povo hebreu.
- Jonas não se agradou da compaixão de Deus para com Nínive.
- O grande milagre está que mesmo com uma maneira desmotivadora a pregação de Jonas surtiu efeito.
A) A Esperança dos Ninivitas Era Bem Pequena.
- Não sabiam nada do amor de Deus.
- Não conheciam o sacrifício da propiciação.
- Não receberam nenhum convite como em Isaías 55.1: Ó vós os que tendes sede, vinde às águas, e vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.
B) Os Ninivitas Receberam a Mensagem do Profeta.
- Todos ouviram as palavras de Jonas.
- Toda cidade foi envolvida; o trânsito parou, todo trabalho silenciou.
- Houve perguntas sérias sobre Deus.
- Do rei até ao último homem, todos se arrependeram e se prostraram perante Deus em pano de saco e cinzas.
Jn. 3. 5-9: E os homens de Nínive creram em Deus, e proclamaram um jejum, e vestiram-se de panos de saco, desde o maior até ao menor.
Porque esta palavra chegou ao rei de Nínive, e levantou-se do seu trono, e tirou de si as suas vestes, e cobriu-se de pano de saco, e assentou-se sobre a cinza.
E fez uma proclamação, que se divulgou em Nínive, por mandado do rei e dos seus grandes, dizendo: Nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê pasto, nem bebam água.
Mas os homens e os animais estarão cobertos de panos de saco, e clamarão fortemente a Deus, e se converterão, cada um do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos.
Quem sabe se se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos.
- Todos clamaram a Deus. Apesar da mensagem de Jonas não oferecer nenhuma graça, mas somente conter juízo, ainda assim tiveram ânimo. Estavam aproveitando os 40 dias para salvação por meio da conversão.
- Quando existe um arrependimento para com Deus, Deus muda o cativeiro do ser humano.
At. 3.19: Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor.
- Deus faz por você o que ninguém pode fazer.
Lc. 1.37: Porque para Deus nada é impossível.
- Deus pode mudar o seu cativeiro.
- Deus pode reverter a sua situação.
- Jesus reverteu a situação do filho da viúva de Naim que estava morto.
- Jesus reverteu a situação da filha da mulher cananéia que tinha um espírito imundo.
- Jesus reverteu a situação do paralítico de Cafarnaum.
- Jesus reverteu a situação de Lázaro onde ninguém esperava mais nada.
- Jesus reverteu a situação do cego Bartimeu.
- Jesus vai reverter a sua situação.
Mt. 28.18: É-me dado todo o poder no céu e na terra.
- Jesus pode operar na sua vida nesta noite.
C) Deus Ouviu o Clamor dos Ninivitas e se Compadeceu.
V.10: E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não fez.
- As obras dos ninivitas mudaram.
- Se converteram do seu mau caminho.
- Deus mudou o propósito de destruir Nínive por causa do arrependimento e da mudança dos ninivitas.
- A atitude dos ninivitas fez Deus mudar suas ações.
- O arrependimento do homem toca o coração de Deus.
- O quebrantamento dos ninivitas tocou o coração de Deus.
Sl 51.17: Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.
- Não importa quem seja a pessoa.
- Não importa o que ela tenha feito.
- Se houver arrependimento e mudança de atitude Deus perdoará.
Sl. 86.5: Pois tu, Senhor, és bom, e pronto a perdoar.
- Quando a pessoa reconhece o seu erro e pede perdão, Deus está pronto a perdoar.
- As reações de Deus são maiores do que as Suas ações.
- O que quer isso dizer?
- Que Deus mais reage pelas nossas ações do que qualquer outra coisa.
Tg. 4.8: Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai o coração.
- Olha a reação de Deus.
- Se nós dermos um passo em direção a Deus, Ele dará outro em nossa direção.
Conclusão: Os habitantes de Nínive foram salvos pelo seu arrependimento e mudança de atitude. Deus não fez o mal que tinha dito que faria.
O profeta Jonas ficou ressentido pela não punição de Deus aos ninivitas, e Deus disse para Jonas, Jn. 4.11: E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais?
Quem foi Jonas? Qual é o seu oficio? Muitos conhecem a historia desse homem, queremos apenas destacar alguns pontos positivos da vida desse homem. Seu nome significa “Pomba”.
Jonas foi um profeta, filho de Amitai, nasceu em Gate-Hefer uma pequena cidade ou aldeia de Zebulom, mais ou menos a 3 Km a Nordeste da Cidade de Nazaré, A Tradição Judaica diz ser ele o filho da viúva de Serepta que foi ressuscitado por Elias, porém isso nunca foi confirmado.
Jonas foi profeta que profetizou uma mensagem no começo do reinado de Jeroboão II, a mensagem dele era que Deus traria ou concederia uma época de grande desenvolvimento Nacional em todo território de Israel, para alem de ser profeta é considerado também um evangelista pelo caráter de sua Missão e mensagem.
Jonas Recebeu da parte de Deus a mais clara chamada, para libertar o povo de Nínive, uma cidade localizada a leste do sententrional Rio Tigre, e distante aproximadamente 960 km de Isarael, daria uma viagem de 3 meses nos tempo antigos, Nínive era uma cidade mais antiga do mundo, estabelecida por Ninrode, calcula-se que sua população era de aproximadamente 600.000 mil habitantes, quase a população que caberia na cidade de Luanda, pois Luanda foi Construída para 800.000 mil habitantes.
E hoje comporta uns 4 milhões de habitantes, esta super povoado, imagine! Mas Nínive vivia numa situação política triste, caótica assíria estava em declínio nessa época, depois da morte de Ada-Nirari II em 782, Nínive se torna decadente, fome miséria e distanciamento de Deus. Porém o povo vivia em constante conflitos e já era de Natureza os Nínivitas eram pessoas cruéis, tinha fama de raça cruel e sensual. Esse povo vivia saqueando e matando outros povos e etnias, qualquer pessoa que vissem, pegavam cabeças humanas que traziam de outras cidades para se orgulharem da sua crueldade.
Os Ninivitas, não ouviam Ninguém, estão certos do que faziam, se achavam, ninguém abria a boca para nada. Talvez foi isso que fez Jonas ter medo e ele tinha razão.
Como enfrentar um povo assim tão armado ate os dentes? Tão cruel, um povo que pega as cabeças de inimigos e pendura na cidade na presença de muita gente? Como abrir a boca para falar a verdade, quer política quer religiosa? Jonas tinha razão, não queria correr risco de morrer, se alguém tentasse abrir a boca pra fazer uma critica ao rei, aos Nínivitas, as pessoas afirmavam: Vão te matar!!.
Jonas foi chamada por Deus para enfrentar esse castelo forte que é Ninive, alguém tinha que correr o risco, caso contrario Nínive ficaria no esquecimento e na rejeição de Deus. O engraçado é que nem todos que habitam em Nínive concordavam com o contexto histórico que argumentamos, nem todos concordavam das atrocidade que os Nínivitas cometiam com as pessoas, matar, aterrorizar etc.. O medo de Jonas fez ele ir em outra cidade chamada Társis (na Espanha) queria fugir da presença de Deus. Jonas queria enfrentar qualquer povo menos os Nínivitas.
Na embarcação para Társis Deus reprovou a atitude de Jonas com uma tremenda tempestade o Arauto rea porém dormia no porão do Navio, dormia profundamente a Septuaginta diz que ele dormia ao ponto de roncar, quando foi despertado todos já estavam apavorados, so ele dormia. Foi também alertado a buscar o seu Deus.Os deuses dos marinheiros, possivelmente fenícios, não davam nenhuma resposta razão pela qual apelação a Jonas que buscasse ajuda clamando ao seu Deus. No desespero a tripulação decide lançar sorte afim de descobrir quem era culpado por tão violento castigo, a sorte caiu sobre Jonas, mas queriam saber o porquê.
Ao ouvirem a resposta e ainda mais que fugia da presença de Deus, por não querer ir falar a verdade e libertar os Nínivitas, e não tinham outra saída a não ser lançar Jonas sobre o Mar. Porém Deus salva Jonas quando esse se arrependeu inesperadamente Jonas foi preservado dentro do grande Peixe e em obediência á Deus vai ate Nínive salvar aquele povo. E os Ninivitas se arrependeram, a mensagem de Jonas era somente uma, que Deus destruiria a cidade em 40 dias se não se arrependessem. E os resultados foi inesperado houve uma mudança moderna e democrática. Depois da Certeza de que Deus esta interessado nos nínivitas, Jonas arrependeu-se, perdeu o medo e foi em obediência a Deus.
Semelhante a historia de Jonas hoje em Angola vivemos algo semelhante, sempre que vou em Angola percebo que o Contexto urbano se deteriora cada vez mais, não há mudança, muitas doenças, intolerância política, má governação, corrupção, a lei da gasosa impera das senzalas ate a grandes cidades, engarrafamento, estresse, falta de água de luz, ruas sem asfaltos em fim. Percebe-se que Angola esta mal, percebe-se que o governo no poder não esta conseguindo estabilizar o País. Uma Pais pequeno que qualquer um Governador dos Estados brasileiros da shows de governação. Niníve é um tipo de Luanda, os Ninivitas são semelhante os governantes no poder.que causam (medo) aos Jonas, que posso afirmar os Angolanos, profetas, evangelistas, os solidários, os patriotas, os capacitados não por homens e sim por Deus, os vocacionados.
O que me admira em Nínive (Luanda) é que quando abro a boca para reclamar de coisas simples, como saúde, saneamento básico, meio ambiente qualquer um cidadão da rua, argumenta, vão te matar se começares a falar muito. Creio que Angola não é diferente da Cidade de Nínive, onde as pessoas são cruéis, acham que ninguém pode falar, ninguém pode entrar, ninguém pode trazer outra filosofia moderna, ninguém pode trazer uma mensagem de restauração, pois se o fizer esta sentenciando sua morte, esta sendo suicida.
Entrar em Luanda com espírito solidário é como entrar na cidade que amedrontou o profeta Jonas, entrar em Luanda com espírito profético é como entrar numa caixa de abelha, se não for por Deus, a morte esta as porta, do contrario seu nome fica na lista de não ser entrevistado. Sua musica não toca mais em nenhuma emissora de Angola, a não ser na privada, sua voz não se ouve nem na TV.
Como Jonas da Bíblia temos Jonas espalhados no mundo, muitos Angolanos bons, inteligentes que não querem voltar pra Angola, e se vão para (Társis) Outras nações, alguns não querem nem retornar para Angola, retornar? Para sofrer represálias? Para conviver com um sistema onde todos já te avisam vai morrer se abrir a boca, onde muitos Jornalistas são presos por coisas simples, por trazerem uma mensagem libertadora, Não!! Muitos não querem com medo dos Nínivitas. Alguns amigos meus ate já contraíram matrimônio na diáspora, com medo da cidade de Nínivi e dos Ninivitas.
Desafios a todos os Jonas que estão na Diáspora, não ter medo, não deixar de ter interesse pelos perdidos na cidade de Ninive, pois la tem gente bons, pois se o fizerem perderão a visão do objetivo que vos levou a se prepararem na diáspora. Deus esta clamando para todos os Jonas Angolanos da Diáspora a se unirem e terem fé que na cidade tem gente que precisam de nós. Se não formos para Nínive Deus nos levara la nem que for pela barriga do peixe. Deus reprova as atitude de todos Nínivitas e conta com os Jonas da Diáspora. Eu sou um Jonas você é um Jonas, não podemos Abandonar a visão libertadora. Deus não nos tirou de Angola para viramos as costas par ela.
E se Deus nos convoca a regressarmos em Nínive, Não tem Ninivitas, não tem terroristas, não tem policia secreta, não te camarada nenhum, não tem Simfo, não tem FBI, não tem Federal e não tem Cubanos que vai nos deter. Os Jonas que não quer ir para Ninive não vão poder prosperar em outra lugar, pois estão em desobediência a Deus.
Onde estão os Jonas??? Lembrem-se vocês Jonas são predestinados par fazerem parte da mudança Agora ou nunca.
Bibliografia: II Reis, 14:25. Jonas. 1.1 Mat. 12.12.40-42, Lucas. 11.29-32. Josué. 4.24. I. Reis. 8.43.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
A ORIGEM DOS GIGANTES
Existem na Bíblia referências a alguns personagens muito estranhos, muito misteriosos - os gigantes. Das vezes em que são citados, podemos tirar algumas conclusões:
1. Definitivamente não pertenciam a qualquer povo, tribo ou nação;
2. Os nomes com que eram designados - Nefilins, Refaíns, Emins, Anaquins, Enaquins, Zanzumins, Zuzis, são todos ADJECTIVOS, significando: "poderosos", "fortes", "valentes", "guerreiros", etc., porém com um significado particular, próprio deles, os GIGANTES;
3. Estranhamente, TODOS ELES PERTENCIAM AO SEXO MASCULINO!
4. Alugavam-se a nações guerreiras para lutarem como mercenários. Tal era o caso de Golias, o qual era filisteu, mas ao que tudo indica, era apenas naturizado.
O termo hebraico NEPHEL pode significar um monstro ou um homem terrível que domina ou vence outros homens. A Bíblia fala desses NEFILINS, chamando-se de "gigantes".
" Havia naqueles dias gigantes na terra, e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens, e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os varões de fama. "Gen. 6:4
Observe quantos sinónimos, quantas tentativas de definir ou classificar aqueles personagens: "gigantes", "valentes", "varões de fama". A Tradução Brasileira transliterou a palavra e traduziu assim: " Havia naqueles dias NEFILINS na terra ... "
Alguns pesquisadores acham que este termo "NEFILINS" traduzido levando-se em conta o prefixo NEPH, pode significar "CAÍDOS", o que deu a ideia para alguns, dos anjos caídos que tomaram corpos e se uniram a mulheres da terra.
Na mitologia greco-romana e de outros povos, existem os relatos dos semi-deuses que desciam à terra e eram meio deuses e meio homens, os quais tomavam mulheres humanas para se casarem com elas. Os modernos Dannikens e Kolosimos vão mais além na sua imaginação, e chegam a afirmar que esses "caídos" eram na realidade "descidos", astronautas, provenientes de outros sistemas solares ou estelares, os quais se casaram com as terráqueas. O facto verdadeiro, é que houve gigantes antes e depois do dilúvio. O poderoso caçador, Nimrode, líder de Babel, poderia muito bem ser um deles. Quando o povo foi espalhado por toda a face da terra, a ideia dos gigantes permaneceu. Em todas as tradições folclores, lendas e contos de fadas, aparece a figura de gigantes, génios, ogros, monstros, etc. Até em alguns idiomas orientais, permaneceu o sufixo hebraico, como é o caso dos DJINS dos árabes.
As referências dos paleontologistas a homens monstruosos que viveram antes do chamado "homo sapiens", supostamente seus antepassados, referências estas baseadas em achados de ossos maiores do que o normal e não pertencentes a qualquer animal classificado, podem tratar-se simplesmente de ossos de refains / nefilins. Então o homem de Neanderthal, o Cro-Magnon, o Javantropo, o Sinantropo, o "Homo Pekinensis", o Austroplopiteco e outros, podem ter sido simplesmente refains ou nefilins.
Os ANAQUINS, ou filhos de Anaque, foram os mais famosos gigantes da Palestina. Eles habitavam perto de Hebrom: A estatura deles era tão além do normal que dez dos doze espias que foram enviados a Canaã compararam-se a gafanhotos diante deles.
"Também vimos ali gigantes, filhos de Anaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos. "Núm. 13:33
Agora, de onde vieram esses gigantes ? Como surgiram ? Que terrível acidente genético trouxe à luz esses seres monstruosos ?
a) Uma primeira conclusão é que indubitavelmente havia uma semente ou geração maldita na terra, antes do dilúvio;
b) Outra conclusão é que esta aberração genética surgiu concomitantemente à união espúria dos filhos de Deus com as filhas dos homens (no original, "com as mulheres dos homens"), em Génesis 6;
c) Uma terceira conclusão, inferida do texto bíblico é que, logo após as filhas dos homens terem gerado filhos, estes filhos nasceram deformados, gigantescos. A tradução de "estes eram os valentes" (Gen. 6:4) pode ser substituída tranquilamente por "estes eram os gigantes".
d) Estranhamente, logo depois desta consequência genética, Deus viu que "a maldade do homem SE MULTIPLICARA sobre a terra" (Gen. 6:5ª) a resolveu limpar a terra de toda a semente maligna.
Noé achou graça diante de Deus, exactamente porque era íntegro "em suas gerações". A sua semente era bendita pura e santa.
O estranho, porém, é que a semente maligna sobreviveu ao dilúvio e, depois deste, aparece novamente. Os gigantes proliferaram novamente e como Deus prometera que não mandaria mais dilúvio sobre a terra, Ele resolveu mandar eliminar povos inteiros, inclusive mulheres, crianças e os que mamavam, como aconteceu com os amalequitas e os fereseus, heteus, horeus, etc.
Vejamos o aparecimento dos gigantes depois do dilúvio:
"Os emins dantes habitavam nela; um povo grande e numeroso, e alto como os gigantes; também estes foram contados por gigantes como os anaquins; e os moabitas lhes chamavam emins." Det. 2:10,11
Esses povos, aparentemente sem qualquer tradição étnica:
"Depois nos viramos e subimos o caminho de Basã: e Ogue, rei de Basã nos saiu ao encontro, ele e todo o seu povo, a peleja em Edrei. Então o Senhor me disse: Não o temas, porque a ele e a todo o seu povo, e a sua terra, tenho dado na tua mão; e far-lhe-ás como fizeste a Siom, rei dos amorreus, que habitavam em Hesbom. "
"E também o Senhor nosso Deus nos deu na nossa mão a Ogue, rei de Basã, e a todo o seu povo; de maneira que o ferimos, até que NINGUÈM lhe ficou de restante. E naquele tempo tomamos todas as suas cidades; nenhuma cidade houve que lhes não tomássemos: sessente cidades, toda a borda da terra de Argote, o reino de Ogue em Basã. "
"Todas estas cidades eram fortificadas com altos muros, portas e ferrolhos; além de outras muitas cidades sem muros. e destruimo-las como fizemos a Siom, rei de Hesbom, DESTRUINDO TODAS AS CIDADES; HOMENS; MULHERES E CRIANÇAS. Porém todo o gado, eo despojo das cidades, tomamos para nós por presa."
"Porque só Ogue, rei de Basã FICOU DO RESTO DOS GIGANTES; eis que o seu leito, um leito de FERRO, não está porventura em Rabá dos filhos de Amom? de nove côvados o seu comprimento, e de quatro côvados a sua largura, pelo côvado dum homem."(Deut. 3:1-7,11)
Transcrevemos este texto tão extenso, porque ele é de importância capital para o nosso estudo. Eis algumas conclusões que dele tiramos.
1. A importância desta batalha foi muito grande, pois estes dois reis, Ogue, rei de Basã e Siom, rei dos amorreus, são citados em vários lugares da Bíblia. Porquê ?
2. Sem qualquer motivo aparente, aquele rei veio a combater Israel;
3. Ogue era um rei-gigante: O seu leito era de ferro para poder suportar o seu enorme peso. Pelo tamanho da sua cama poderemos deduzir de que tamanho era aquele ser monstruoso. A sua cama tinha aproximadamente 4 metros de comprimento e 2 metros de largura;
4. Este é mais um relato em que Deus manda matar todo o povo, incluindo mulheres crianças e recém-nascidos. Deus tinha a intenção de extirpar da face da terra todos estes povos cuja semente estava conspurcada por esse hibridismo maligno, por esses genes estranhos!
De todas essas gerações de gigantes muita ênfase é dada aos REFAINS. Algumas vezes este termo parece designar todos eles.
"Mas vieram os filisteus, e se estenderam pelo vale de REFAIM."II Sam. 5:18
O adjectivo passou a ser substantivo. Isto revela o grau de importância que os refains receberam. Apesar de os gigantes terem outros nomes, com o tempo foram ficando apenas com o nome de Refains.
"Ao décimo quarto ano veio Quedorlaomer, e os reis que estavam em Astarote-Carnaim, e os zuzins em Hã, e os emins em Savé-Quiriataim. "Gen. 14:5
Refains, zuzins e emins são extamente a mesma coisa: valentes, guerreiros, gigantes.
"E depois disto aconteceu que, levantando-se guerra em Gezer com os filisteus, então Sibecai, o husatita, feriu a Sipai dos filhos de Rafa; e ficaram abatidos." I Cr. 20:4 ERC
Na Edição Revista e Corrigida ao pé da página encontraremos uma referência : "h que é gigante".
Vejamos agora I Crónicas 20:4-8, na Tradução Revista e Actualizada que traduziu "gigantes" directamente. Estes "filhos de Rafa", são o mesmo que "Filhos de Repha" ou "refains", "gigantes".
"Depois disto houve guerra em Gezer contra os filisteus; entaão Sibeecai, o husatita, feriu a Sipai, que era descendente dos gigantes; e os filisteus foram subjugados. Houve ainda outra guerra contra os filisteus; e Elana, filho de Jair, feriu a Lami, irmão de Golias, o geteu, cuja lança tinha a haste como seixo de tecelão. Houve ainda outra guerra em Gate; havia ali um homem de grande estatura, tinha vinte e quatro dedos, seis em cada mão e seis em cada pé: também, este descendia dos gigantes.
"Quando ele injuriava a Israel, Jónatas, filho de Simei, irmão de Davi, o feriu. Estes nasceram dos gigantes em Gate; e caíram pela mão de Davi e pela mão de seus homens." I Cr. 20 :4-8
Em II Samuel 21:15-22 descobrimos que, no relato da mesma guerra, houve mais um gigante que foi morto por Davi e seus homens.
Vejamos ainda mais algumas referências aos gigantes:
"Os emins dantes habitavam nela, povo grande, numeroso, e alto como os enaquins; também eles foram considerados refains, como os enaquins; e os moabitas lhes chamavam emins." Dt. 2:10,11
"Porque só Ogue, o rei de Basã, restou dos refains (ou gigantes na RC); eis que o seu leito, leito de ferro, não está porventura em Rabá dos filhos de Amom, de nove côvados o seu comprimento e quatro a sua largura, pelo côvado comum ?"Dt. 3:11
"Todo o reino de Ogue em Basã, que reinou em Astarote em Edrei, que ficou do resto dos gigantes, o qual Moisés feriu e expulsou." Js. 13:12
"E o resto de Gileade, como também todo o Basã, o reino de Ogue dei à meia tribo de Manassés; toda aquela borda da terra de Argobe, por todo o Basã, se chamava a terra dos gigantes." Dt. 3:13
"Deste ponto sobe pelo vale do filho de Hinom, da banda dos jebuseus do sul, isto é, Jerusalém; e sobre este termo até ao cume do monte que está diante do vale de Hinom para o ocidente, que está no fim do vale dos refains, da banda do norte." Js. 15:8
Vemos aqui uma referência muito significativa relacionando os gigantes - refains com o vale de Hinom, ou Ge-Himnom, que deu "GEENA", ou "INFERNO". A palavra «INFERNO» é usada para traduzir um termo grego que é uma transliteração do termo hebraico Ge-Himnom, isto é, vale de Hinom ou de lamentações. Este vale estava localizado imediatamente ao sudoeste da cidade de Jerusalém. Nos tempos antigos havia sido o lugar de culto ao deus Moloque, que incluía holocausto de crianças vivas. Tal prática foi abolida pelo rei Josias (I Reis 23:10), e o lugar chegou a ser usado pelo povo judaico como um grande depósito de lixo, incluindo o refugo da cidade, os cadáveres de animais e até os de criminosos cujas famílias não lhes ofereciam sepultura. Ardia continuamente o fogo, a bem do propósitos sanitários. O termo « a geena de fogo » chegou a ser termo geralmente aceito e usado para descrever aquilo que era abominável.
"Disse-lhe Josué: Se és grande povo, sobe ao bosque e abre ali clareira na terra dos fereseus e dos refains." Js. 17:15
"Desce o termo até a extremidade do monte que está defronte do vale do filho de Hinom, ao norte do vale dos refains, e desce pelo vale de Hinom banda dos jebuseus para o sul; e baixa à fonte de Rogel." Js. 18:16
No livro de Jó encontramos esta referência : " Fere-me com ferimento sobre ferimento, arremete contra mim como um guerreiro. "Jó 16:14
No original em algumas traduções estrangeiras, esta expressão "um guerreiro" é na realidade um "gigante".
Agora, vamos falar de um assunto muito polémico. Por amor a TODA a verdade é que o mencionamos, embora sabendo que servirá de espanto para muitos.
Existe uma clara referência, não obstante ter ficado somente no original, de que esta geração maldita de híbridos JAMAIS RESSUSCITARÁ !
A Bíblia diz que haverá duas ressurreições distintas, separadas por mil anos uma da outra. Vemos com clareza nas Sagradas Escrituras que todos os homens ressuscitarão, uns para o gozo eterno outros para o sofrimento e vergonha eternos. Então como é que podemos especular a respeito de um assunto tão controverso ?
Bem, apesar de haver apenas uma referência clara e directa, existem outras que respaldam estas outras que citaremos. Nesta referência Bíblica você pode pesquisar no hebraico que a palavra REFAIN que deveria ter sido traduzida para "gigantes", foi traduzida para outra expressão que não tem nada a ver com o original. Conseguimos para ela a tradução de SOMBRAS a qual nem de longe é a expressão do original. Eis o texto:
" Mortos não tornarão a viver, SOMBRAS NÃO RESSUSCITAM; por isso os castigaste e destruístes, E LHE FIZESTE PERECER TODA A MEMÓRIA. "Is. 26:14
Não é um contraste gritante este texto com todo o resto da Bíblia, se pensarmos nestes mortos como mortos comuns, pessoas normais? No entanto se traduzirmos correctamente o versículo, veremos sentido real no que está escrito:
"Mortos não tornarão a viver, GIGANTES NÃO RESSUSCITAM. "
É claro que sombras não ressuscitarão, pois sombras NEM MORREM ! O que a Bíblia está a dizer aqui, é que os REFAINS, depois de mortos NÃO RESSUSCITARÃO. Veremos outros textos paralelos.
"Fez-me habitar em lugares tenebrosos, como (da mesma forma que ) os que ESTÃO MORTOS PARA SEMPRE. "Lm. 3:6
Outro tradutor da Bíblia, temerosamente traduziu assim este versículo:
" ... como os que estavam mortos há muito."
Observe que a palavra "ESTAVAM" encontra-se gravada em itálico. Isto significa que houve uma adaptação do pensamento do tradutor e não uma tradução ao pé da letra. A tradução ao pé da letra é:
" ...aqueles que ESTÃO mortos para sempre. "
Leiamos agora o Salmo 88, principalmente os versículos 3 a 5 e veremos como o escritor se refere a uma terra do esquecimento, um local de mortos do qual, em linguagem antropomórfica, "nem Deus se lembra".
E se tivermos a curiosidade de pesquisar mais, encontraremos inúmeros textos semelhantes ao agora citado, que falam dos "feridos de morte" ou "trespassados" que estão para sempre enterrados e esquecidos.
É quase incrível que alguém possa morrer e não ressuscitar; alguém sobre quem a ira de Deus abateu-se de tal forma que a sua morte torna-se morte de animal irracional.
O facto bíblico e insofismável é que os gigantes / refains existiram e que Deus os destruiu. Eles não deixaram descendentes até os nossos dias, pois eram machos híbridos, algo FORA DO PLANO ORIGINAL DE DEUS !
Quem eram, de onde vieram, como surgiram, para onde foram e se ressuscitarão ou não. é algo que só descobriremos na universidade celeste.
Alguns textos onde aparece a palavra REFAINS no original. Citadas como estão no original, embora se as conferir-mos na tradução em Português venhamos a encontrar outras palavras no lugar.
"Os REFAINS mortos tremem debaixo das águas com os seus habitantes. " Jó 26:6
" Mostrarás, tu, prodígios aos mortos, ou os REFAINS se levantarão para te louvar ?" Sl. 88:10
Ao lermos o original é nos clara a ideia exposta.
" Porque a sua casa se inclina para a morte, e as suas veredas para o reino do REFAINS MORTOS. " Prv. 2:18
" Ele, porém, não sabe que ali estão os REFAINS; que os seus convidados estão nas profundezas do inferno. " Prv. 9:18
" O homem que se desvia do caminho do entendimento, na congregação dos REFAINS repousará. " Prv. 21:16
O erudito teólogo Schwally (Leben Nach Dem Tode, pg. 64), ressalta que os hebreus passaram a usar o termo REFAIN para designar "FANTASMAS", e que o termo hebraico para fantasmas guarda uma semelhança enorme com a expressão "GIGANTES EXTINTOS".
OUTRAS REFERÊNCIAS:
Bíblia de Jerusalém
" Pois quando, nas origens, pereciam os gigantes orgulhosos, a esperança do mundo se refugiou numa jangada que, pilotada por tua mão, aos séculos transmitiu a semente da vida. " Sab.14:6
" Deus não perdoou os gigantes de outrora que se rebelaram, prevalecendo-se de suas forças. " Eclo. 16:7
" Não teve piedade da raça maldita (os antigos habitantes de Canãa) que se prevaleciam de seus pecados " Eclo. 16:9
" Escuta, Israel, os mandamentos de vida; presta ouvidos, para conheceres a prudência. Porque, Israel, porque te encontras na terra dos teus inimigos, envelhecendo em terra estrangeira ? Porque te contaminas (lit. tu és semelhante) com os mortos, e te puseste no número dos que vão para o Hades ? É que abandonaste a fonte da Sabedoria ! Se tivesses prosseguido no caminho de Deus, habitarias na paz para sempre. Aprende, pois, onde está a prudência, onde a força e a inteligência, para conheceres ao mesmo tempo onde se encontra a longevidade e a vida a luz dos olhos e a paz. Entretanto, quem é que descobriu seu paradeiro e quem penetrou em seus tesouros ? Onde estão os governantes das nações e os domadores das feras sobre a terra, os que se divertem com as aves dos céu e os que acumulam a prata e o ouro, na qual os homens confiam, e cujas posses são sem limites, os que trabalham a prata e se afligem e no entanto suas obras não deixam traço ? Desapareceram e desceram ao Hades, enquanto outros surgiram em seu lugar: uma nova geração viu a luz e habitou sobre a terra, mas não conheceram o caminho da ciência; .... os seus filhos ficaram longe do seu caminho. Não se ouviu falar dela em Canaã nem alguém a viu em Temã, os contadores de fábulas e os desejosos de inteligência não chegaram a conhecer o caminho da sabedoria nem se recordam de suas veredas. Como é grande ó Israel a morada de Deus, e como é vasta a extensão do seu domínio, grande e sem fim, e elevada e sem medidas ! É lá que nasceram os gigantes, famosos desde as origens, descomunais na estatura e adestrados na guerra. Mas não foi a eles que Deus escolheu, nem a eles indicou o caminho da ciência. Por isso pereceram, por não terem a prudência; pereceram por sua irreflexão. ... " Baruque 3:9-28
A morte do rei da Babilónia
" E sucederá, que no dia em que Iahweh te der descanso do teu sofrimento, da tua inquietude e da tua dura servidão a que foste sujeitado, que entoarás esta sátira a respeito do rei da Babilónia: Como terminou o opressor ? Como terminou a arrogância ? Iahweh quebrou a vara dos ímpios, o cetro dos dominadores, daquele que feria os povos com furor, que feria com golpes intermináveis, que com ira dominava as nações, perseguindo-as sem que o pudessem deter. O mundo inteiro repousa, está tranquilo; todos rompem em canto de alegria. Até os ciprestes se regozijam por causa de ti, bem como os cedros do Líbano: "Depois que jazes caído, ninguém mais sobe até aqui para pôr-nos abaixo!" Nas profundezas, o Xeol se agita por causa de ti, para vir ao teu encontro; para receber-te despertou os mortos, todos os potentes da terra, fez erguerem-se dos seus tronos todos os reis das nações. Todos eles se interpelam e se dizem : " Então, também tu foste abatido como nós, acabaste igual a nós. O teu fausto foi precipitado no Xeol, justamente com a música das tuas harpas. Sob o teu corpo os vermes formam como um colchão, os bichos te cobrem como um cobertor. Como caíste do céu, ó estrela d`alva, filho da aurora ! Como foste atirado à terra, vencedor das nações ! E, no entanto, dizias no teu coração: Hei-de subir até ao céu, acima das estrelas de Deus colocarei o meu trono, estabelecer-me-ei na montanha da Assembleia, nos fins do norte. Subirei acima das nuvens, tornar-me-ei semelhante ao Altíssimo. E, contudo, foste precipitado no Xeol, nas profundezas do abismo. " Os que te vêem fitam os olhos em ti, estes observam com toda a atenção, perguntando: "Porventura é este o homem que fazia tremer a terra, que abalava reinos ? Que reduziu o mundo a um deserto, arrasou as suas cidades e nunca permitiu que voltassem para a sua pátria os seus prisioneiros ? Todos os reis das nações repousam com honra, cada um no seu jazigo. Tu, porém, foste lançado fora da tua sepultura, como um ramo abominável, rodeado de gente imolada, trespassada à espada, atirada sobre as pedras da fossa, como uma carcaça pisada aos pés. Tu não te reunirás àqueles na sepultura, pois que arruinaste a tua terra, fizeste perecer o teu povo, nunca mais se nomeará essa raça de malvados. Por causa da maldade dos pais promoverei a matança dos filhos. Não se tornem a levantar para submeterem a terra e encherem de cidades a face da terra. "Isaias 14
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Pseudo Epígrafo de Gênesis
Livro de Melquisedeque
(Observação)
A Criação do Universo I
Antes que existisse uma estrela a brilhar, antes que houvesse anjos a cantar, já havia um céu, o lar do Eterno, o único Deus.
Perfeito em sabedoria, amor e glória, viveu o Eterno uma eternidade, antes de concretizar o Seu lindo sonho, na criação do Universo.
Os incontáveis seres que compõem a criação foram, todos, idealizados com muito carinho. Desde o íntimo átomo às gigantescas galáxias, tudo mereceu Sua suprema atenção.
Movendo-Se com majestade, iniciou Sua obra de criação. Suas mãos moldaram primeiramente um mundo de luz, e sobre ele uma montanha fulgurante sobre a qual estaria para sempre firmado o trono do Universo. Ao monte sagrado Deus denominou: Sião.
Da base do trono, o Eterno fez jorrar um rio cristalino, para representar a vida que d'Ele fluiria para todas as criaturas.
Como sala do trono, criou um lindo paraíso que se estendia por centenas de quilômetros ao redor do monte Sião. Ao paraíso denominou: Éden.
Ao sul do paraíso, em ambas as margens do rio da vida, foram edificadas numerosas mansões adornadas de pedras preciosas, que se destinavam aos anjos, os ministros do reino da luz.
Circundando o Éden e as mansões angelicais, construiu Deus uma muralha de jaspe luzente, ao longo da qual podiam ser vistos grandes portais de pérolas.
Com alegria, o Eterno contemplou a Capital sonhada.
Carinhosamente, o grande Arquiteto a denominou: Jerusalém, a Cidade da Paz.
Deus estava para trazer à existência a primeira criatura racional. Seria um anjo glorioso, de todos o mais honrado. Adornado pelo brilho das pedras preciosas, esse anjo viveria sobre o monte Sião, como representante do Rei dos reis diante do Universo.
Com muito amor, o Criador passou a modelar o primogênito dos anjos. Toda sabedoria aplicou ao formá-lo, fazendo-o perfeito. Com ternura concedeu-lhe a vida; o formoso anjo, como que despertando de um profundo sono, abriu os olhos e contemplou a face de seu Autor.
Com alegria, o Eterno mostrou-lhe as belezas do paraíso, falando-lhe de Seus planos, que começavam a se concretizar. Ao ser conduzido ao lugar de sua morada, junto ao trono, o príncipe dos anjos ficou agradecido e, com voz melodiosa, entoou seu primeiro cântico de louvor.
Das alturas de Sião, descortinava-se, aos olhos do formoso anjo, Jerusalém em sua vastidão e esplendor. O rio da vida, ao deslizar sereno em meio à Cidade, assemelhava-se a uma larga avenida, espelhando as belezas do jardim do Éden e das mansões angelicais.
Envolvendo o primogênito dos anjos com Seu manto de luz, o Eterno passou a falar-lhe dos princípios que haveriam de reger o reino universal. Leis físicas e morais deveriam ser respeitadas em toda a extensão do governo divino.
As leis morais resumiam-se em dois princípios básicos: amar a Deus sobre todas as coisas e viver na fraternidade com todas as criaturas. Cada criatura racional deveria ser um canal por meio do qual o Eterno pudesse jorrar aos outros vida e luz. Dessa forma, o Universo cresceria em harmonia, felicidade e paz.
Depois de revelar ao formoso anjo as leis de Seu governo, o Eterno confiou-lhe uma missão de grande responsabilidade: seria o protetor daquelas leis, devendo honra-las e revela-las ao Universo prestes a ser criado. Com o coração transbordante de amor a Deus e aos semelhantes, caber-lhe-ia ser um modelo de perfeição: seria Lúcifer, o portador da luz.
O príncipe dos anjos; agradecido por tudo, prostrou-se ante o amoroso Rei, prometendo-Lhe eterna fidelidade.
O Eterno continuou Sua obra de criação, trazendo à existência inumeráveis hostes de anjos, os ministros do reino da luz. A Cidade Santa ficou povoada por essas criaturas radiantes que, felizes e gratas, uniam as vozes em belíssimos cânticos de louvor ao Criador.
Deus traria agora à existência o Universo que, repleto de vida, giraria em torno de Seu trono firmado em Sião. Acompanhado por Seus ministros, partiu para a grandiosa realização.
Depois de contemplar o vazio imenso, o Eterno ergueu as poderosas mãos, ordenando a materialização das multiformes maravilhas que haveriam de compor o Cosmo. Sua ordem, qual trovão, ecoou por todas as partes, fazendo surgir, como que por encanto, galáxias sem conta, repletas de mundos e sóis - paraísos de vida e alegria -, tudo girando harmoniosamente em torno do monte Sião.
Ao presenciarem tão grande feito do supremo Rei, as hostes angelicais prostraram-se, fazendo ecoar pelo espaço iluminado um cântico de triunfo, em saudação à vida. Todo o Universo uniu-se nesse cântico de gratidão, em promessa de eterna fidelidade ao Criador.
Guiados pelo Eterno, os anjos passaram a conhecer as riquezas do Universo. Nessa excursão sideral, ficaram admirados ante a vastidão do reino da luz. Por todas as partes encontravam mundos habitados por criaturas felizes que os recebiam em festa. Os anjos saudavam-nos com cânticos que falavam das boas novas daquele reino de paz.
Tão preciosa como a vida, a liberdade de escolha, através da qual as criaturas poderiam demonstrar seu amor ao Criador, exigia um teste de fidelidade. Com o propósito de revelá-lo, o Eterno conduziu as hostes por entre o espaço iluminado, até se aproximarem de um abismo de trevas que contrastava com o imenso brilho das galáxias. Ao longe, esse abismo revelara-se insignificante aos olhos dos anjos, como um pontinho sem luz; mas à medida de sua aproximação, mostrou-se em sua enormidade. O Criador, que a cada passo revelava aos anjos os mistérios de Seu reino, ficou ali silencioso, como que guardando para Si um segredo. As trevas daquele abismo consistiam no teste da fidelidade. Voltando-Se para as hostes, o Eterno solenemente afirmou:
-"Todos os tesouros da luz estarão abertos ao vosso conhecimento, menos os segredos ocultos pelas trevas. Sois livres para me servirem ou não. Amando a luz estareis ligados à Fonte da Vida".
Com estas palavras, fez Deus separação entre a luz e as trevas, o bem e o mal. O Universo era livre para escolher seu destino.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
APOLOGIA
Raros são os dados sobre Aristides de Atenas (Grécia); ele viveu no século II e talvez fosse filósofo, foi um dos primeiros apologistas cristãos; é mencionado por Eusébio da Cesaréia como autor desta apologia dirigida ao imperador romano Adriano (117-138); a mais antiga que chegou até nós falando da vida dos cristãos.
Perdida até 1878, quando foi publicado um fragmento de tradução armênia, em 1889 foi descoberta, no mosteiro de Santa Catarina no monte Sinai, uma tradução siríaca completa pelo americano Rendel Harris. Mais tarde, são também publicados dois fragmentos gregos mais extensos, que demonstraram que a obra de Aristides influíra na literatura medieval através da lenda "Vida de Barlaão e Josafá", de autoria de São João Damasceno, que contém em seus capítulos 26 e 27 boa parte do texto grego, ainda que livremente retocado.
A Apologia ataca severamente as religiões politeístas dos caldeus, gregos e egípcios, e, embora admita que os judeus cultuam o verdadeiro Deus, acusa-os de terem desprezado a salvação do gênero humano, trazida por Jesus, por não lhe reconhecer a messiandade. Desta forma, conseqüentemente, os cristãos possuem o verdadeiro conhecimento de Deus e podem ser distinguidos de todos os demais pela pureza de seus costumes. (nota do editor)
APOLOGIA - Aristides de Atenas
INTRODUÇÃO
I. Eu - ó Rei - por providência de Deus, vim a este mundo e, tendo contemplado o céu, a terra e o mar, o sol, a lua e todo o resto, fiquei maravilhado por sua ordem. Porém, vendo que o mundo e tudo o que nele há se move por necessidade, compreendi que Aquele que os move e os mantém [em movimento] é mais que estes. Afirmo, pois, ser Deus que ordenou tudo e o mantém fortemente assim. [Ele] não teve princípio e é eterno; imortal e sem necessidades; acima de todas as paixões e defeitos, da ira, do esquecimento, da ignorância e tudo o mais. Por Ele, todavia, subsiste tudo. Não precisa de sacrifício, nem libação, nem de nada do que existe; porém, tudo necessita Dele.
II. Ditas estas coisas a respeito de Deus, da forma como consegui falar sobre Ele, passemos também ao gênero humano, para saber quais dentre os homens participam da verdade e quais [participam] do erro, pois, para nós - ó Rei - é evidente que há três tipos de homens neste mundo: os adoradores daquilo que vocês chamam "deuses"; os judeus; e os cristãos. Por sua vez, os que adoram muitos deuses se subdividem em também em três gêneros: os caldeus, os gregos e os egípcios, porque estes foram os guias e mestres das demais nações no culto e adoração dos deuses de muitos homens.
OS FALSOS DEUSES DOS CALDEUS
III. Vejamos, pois, quais destes [homens] participam da verdade e quais [participam] do erro. Os caldeus, com efeito, por não conhecerem a Deus, se extraviaram por detrás dos astros e passaram a adorar as criaturas no lugar d'Aquele que os havia criado; e fazendo daqueles [astros] certas representações, passaram a clamar às imagens do céu e da terra, do sol, da lua e dos demais astros ou luminares; e, confinando-os em templos, os adoram, dando-lhes nome de deuses, guardando-os com toda a segurança, para que não sejam roubados por ladrões, sem perceber que os que guardam são superiores aos guardados, e os que constroem são superiores às suas próprias obras. Assim, se os seus deuses são impotentes para sua própria salvação, como poderiam oferecer a salvação aos outros? Logo, se extraviaram os caldeus, prestando culto a imagens mortas e inúteis.
E fico maravilhado - ó Rei - como aqueles que são, entre eles, chamados de "filósofos" não perceberam absolutamente que também esses mesmos astros são corruptíveis. Sim, e se os astros são corruptíveis e dominados pelas necessidades, como podem ser deuses? E se os astros não são deuses, como poderiam ser [deuses] as imagens feitas em honra deles?
IV. Passemos, portanto - ó Rei - aos próprios elementos, para provar que não são deuses, mas sim corruptíveis e mutáveis, desprovidos de tudo por ordem do Deus verdadeiro, Aquele que é incorruptível, imutável e invisível. Ele tudo vê, tudo muda e transforma como quer. Que posso então dizer dos astros?
Os que crêem que a terra é Deusa se enganam, pois a vemos incomodada e dominada pelos homens, cavada e emporcalhada, tornando-se inútil, porque se não a aduba, converte-se em infértil como uma telha, onde nada nasce. Só que, se for regada em demasia, corrompe-se ela mesma bem como os seus frutos. Ela também é pisada pelos homens e pelos animais; se mancha com os sangue dos assassinatos; é cavada para receber os cadáveres e, assim, se converte em depósito de mortos. Sendo assim, não é possível que a terra seja deusa, mas obra de Deus, para utilidade dos homens.
V. Os que pensam que a água é Deus erram, pois também ela foi feita para a utilidade dos homens e por eles é dominada; fica suja e se corrompe; se altera quando é servida, muda de cor e congela com o frio; é levada para lavar todas as imundícies... Por isso, é impossível que a água seja Deus, mas é obra de Deus.
Os que crêem que o fogo é Deus estão equivocados, pois o fogo foi feito para a utilidade dos homens e por eles é dominado; é levado de um lugar para outros para cozer e assar toda espécie de carnes e até mesmo para cremar cadáveres. Além disso, se corrompe de várias maneiras ao ser apagado pelos homens. Por isso, não é possível que o fogo seja Deus, mas obra de Deus.
Os que crêem que o sopro dos ventos é Deus se equivocam, pois é óbvio que está a serviço de outro e que foi preparado por Deus, em graça aos homens, para mover os navios, transportando os alimentos, e atender às suas demais necessidades; fora isso, aumenta ou cessa pela ordem de Deus. Portanto, não é possível pensar que o vento seja Deus, mas obra de Deus.
VI. Os que crêem que o sol é Deus se equivocam, pois vemos que ele se move por necessidade, muda e altera de signo, pondo-se e nascendo para desenvolver as plantas e ervas em utilidade aos homens; vemos também que possui divisões com os demais astros, que é muito menor que o céu, que sofre eclipses em sua luz e não goza de qualquer autonomia. Por isso, não é possível pensar que o sol seja Deus, mas obra de Deus.
Os que pensam que a lua é Deusa se equivocam, pois vemos que ela se move por necessidade e muda de fase, pondo-se e nascendo para a utilidade dos homens; ela é menor que o sol, cresce, reduz e sofre eclipses. Por isso, não é possível pensar que a lua seja deusa, mas obra de Deus.
VII. Os que crêem que o homem é Deus erram, pois vemos que ele é concebido por necessidade, se alimenta e envelhece ainda contra a sua vontade; às vezes está alegre, outras vezes está triste, e precisa de comida, bebida e roupas; vemos, ainda, que ele guarda raiva, inveja e ambição, muda seus propósitos e tem mil defeitos; corrompe-se também de muitos modos em razão dos elementos, dos animais e da morte que lhe é imposta. Não é, portanto, admissível que o homem seja Deus, mas obra de Deus.
Assim, os caldeus se extraviaram em suas concupiscências, pois adoram os astros, elementos corruptíveis e às imagens mortas, sem compreenderem o que divinizam.
OS FALSOS DEUSES DOS GREGOS
VIII. Vejamos agora também os gregos, para ver se possuem alguma idéia sobre Deus. Os gregos, que dizem ser sábios, mostram-se mais ignorantes que os caldeus, introduziram uma multidão de deuses que nasceram uns do sexo masculino, outros do sexo feminino, escravos de todas as paixões e sujeitos de toda espécie de iniqüidades; são deuses que eles mesmos afirmam ter sido adúlteros, assassinos, irados, invejosos, rancorosos, parricidas e fratricidas, ladrões e assaltantes, coxos e importunos, feiticeiros e loucos. Destes, uns morreram, outros foram fulminados, outros serviram aos homens como escravos, outros viraram fugitivos, outros sentiram dor e lamentaram, outros se transformaram em animais...
Daí se vê - ó Rei - quão ridículas, absurdas e ímpias palavras introduziram os gregos ao dar o nome de deuses a esses seres que não são [deuses]; assim fizeram seguindo os seus maus desejos, a fim de que, tendo aqueles abrogado suas maldades, pudessem estes [também] entregar-se ao adultérios, ao roubo, ao assassinato e toda a classe de vícios. Ora, se tudo isso fizeram os deuses, por que também não poderiam fazer os homens que lhes prestam culto? Conseqüência, pois, de todas estas obras do erro foi que os homens sofreram guerras contínuas, matanças e cativeiros amargos.
IX. Mas se quisermos recorrer com nosso discurso a cada um de seus deuses, veremos absurdos sem conta. Assim, introduzem, antes de mais nada, um deus chamado Cronos e a estes lhe sacrificam seus próprios filhos; Cronos teve muitos filhos de Rea e, finalmente, tornando-se louco, comeu os seus próprios filhos. Dizem também que Zeus lhe cortou as partes viris e as atirou no mar, donde se conta que nasceu Afrodite. Amarrando Zeus o próprio pai, lançou-o no Tártaro.
Vês o desvio e a imprudência introduzidos contra o seu próprio deus? Como é possível que um deus seja amarrado ou mutilado? Ó insensatez! Quem, em seu são juízo, pode dizer tais coisas?
Depois introduziram Zeus, que dizem ser o rei de todos os seus deuses e que toma a forma de animais para unir-se com mulheres mortais. Com efeito, contam que se transformou em touro para Europa e Pasfae, em ouro para Danae, em cisne para Leda, em sátiro para Antíope e em raio para Esmele; e que destas nasceram-lhe muitos filhos: Dionísio, Zeto, Anfim, Héracles, Apolo e Artemisa, Perseu, Castor, Helena e Plux, Minos, Radamante, Sarpenden e as sete filhas chamadas "musas". Logo introduziram igualmente a fábula de Ganímedes... Aconteceu então - ó Rei - que os homens imitaram tudo isto e se fizeram adúlteros e pervertidos, como seu deus, e cometeram toda a classe de atos viciosos. Como é possível conceber que Deus seja adúltero, pervertido e parricida?
X. Com isto, introduziram um certo Hefesto como deus, e este, coxo e empunhando martelo e torquês, passou a ser ferreiro para ganhar a vida. É necessitado? Isto é coisa inadmissível para Deus: ser coxo e necessitado dos homens.
Logo introduziram Hermes como deus; ele que é ambicioso, ladrão, avaro, feiticeiro, estropiado e intérprete de discursos... Não se concebe que Deus possa ser tais coisas.
Também introduziram Asclépio como deus; médico de profissão e dedicado a preparar medicamentos, compondo emplastos para se sustentar (pois estava necessitado), logo foi fulminado por Zeus por causa do filho do lacedemônio Tindreo, e assim morreu. Mas se Asclépio, sendo deus, não pôde ajudar a si mesmo, sendo fulminado, como poderá ajudar os outros?
Também introduziram Ares como deus; guerreiro, invejoso, ambicioso por rebanhos e outras coisa, dizem que ele, mais tarde, cometeu adultério com Afridite, e foi amarrado pelo menino Eros e também por Hefesto. Como, pois, poderia Deus ser ambicioso, guerreiro, adúltero e prisioneiro?
Também introduziram Donísio como deus, ele que celebra festas noturnas, é mestre em embriaguez e arrebata as mulheres alheias; mais tarde, foi degolado pelos titãs. Se, pois, Dionísio foi degolado, não pôde ajudar-se a si mesmo, mas era louco, bêbado e fugitivo; como poderia ser Deus?
Também introduziram Héracles, que contam ter-se embriagado e, tornando-se louco, comeu seus próprios filhos, sendo após consumido pelo fogo, assim morrendo. Mas como pode Deus ser bêbado, matar seus filhos e ser devorado pelo fogo? Como pode socorrer os outros se não pôde socorrer a si mesmo?
XI. Também introduziram Apolo como deus; ele era invejoso; às vezes empunhava o arco e a flecha, outras vezes a cítara e a flauta; dedicava-se à adivinhação em troca do dinheiro dos homens. Ele é necessitado? É impossível admitir que Deus esteja necessitado e seja invejoso, como citamos.
Depois introduziram Artemisa, sua irmã, caçadora por ofício, que carrega o arco e a flecha, andando errante pelos montes, acompanhada somente de seus cães, para caçar cervos e javalis. Como pode, pois, ser deusa uma mulher que é caçadora e anda errante com seus cães?
Também dizem que Afrodite é deusa, que foi adúltera e que como companheiros de adultério Ares, Anquises e Adônis (cuja morte chorou), e sempre buscava amantes; até dizem que desceu ao Hades para resgatar Adônis de Persfone, filha de Hades. Ó Rei: por acaso já viste insensatez maior que a de introduzir uma deusa adúltera, que lamenta e chora?
Também introduziram Adônis como deus, caçador de ofício e adúltero, que morreu violentamente ferido por um javali e não pôde ajudar-se em sua desgraça. Como pode então preocupar-se com os homens aquele que era adúltero, caçador e que morreu de forma violenta?
Tudo isto e muitas coisas mais, bem vergonhosas e piores, introduziram os gregos - ó Rei - fantasiando sobre seus deuses coisas que absolutamente não são lícitas de dizê-las ou trazê-las à memória. Assim, tomando os homens os exemplos de seus próprios deuses, praticaram todo gênero de iniqüidade, imprudência e impiedade, manchando a terra e o ar com suas terríveis ações.
OS FALSOS DEUSES DOS EGÍPCIOS
XII. Quanto aos egípcios, que são mais torpes e mais néscios que os gregos, erraram mais que todas as nações, pois não se contentaram com os cultos dos caldeus e dos gregos, mas introduziram ainda como deuses animais irracionais, tanto da terra como da água, bem como árvores e plantas, e mergulharam em toda a loucura e imprudência pior que todas as nações existentes sobre a terra.
Eis que a princípio prestaram culto a Ísis, que tinha Osíris por irmão e marido; este foi degolado por seu irmão Tifão. Por esta razão, Ísis fugiu com seu filho Hórus para Bíblo, na Síria, chorando amargamente; quando Hórus cresceu, matou Tifão. Desta forma, nem Ísis teve forças para ajudar seu irmão e marido, nem Osíris pôde ajudar-se a si mesmo (já que foi degolado por Tifão), da mesma maneira que Tifão, fratricida, morto por Hórus e Ísis, não conseguiu livrar-se a si próprio da morte. E, reconhecidos por tais desgraças, foram tidos por deuses pelos insensatos egípcios, os quais, não contentes com este e com os demais cultos trazidos por outras nações, introduziram como deuses até mesmo os animais irracionais.
Eis que alguns deles adoram a ovelha; outros o cabrito; outros o novilho e o porco; outros o corvo, o gavião, o abutre e a águia; outros o crocodilo; outros o gato, o cão e o lobo, e também o macaco, a serpente e a áspide; outros a cebola e o alho, os espinhos e as demais criaturas... E os desgraçados não se dão conta que nenhuma dessas coisas possui poder algum, nem vendo que seus deuses são comidos por outros homens, queimados e degolados, e se putrefazem... Não compreendem que não são deuses!
CONCLUSÃO SOBRE A FALSA RELIGIÃO POLITEÍSTA
XIII. Assim, se extraviaram gravemente os egípcios, os caldeus e os gregos, introduzindo tais deuses, fazendo imagens deles, e divinizando os ídolos surdos e insensíveis.
E me admira como vendo seus deuses serrados, destruídos pelo fogo, cortados pelos artífices, envelhecidos pelo tempo, dissolvidos e fundidos não compreendam que não existem tais deuses pois, quando nenhuma força possuem para sua própria salvação, como poderão ter providência pelos homens?
Mas seus poetas e filósofos, querendo com seus poemas e obras glorificar os seus deuses, não têm feito outra coisa senão descobrir suas vergonhas e torná-las desnudas para todos; pois, se o corpo do homem, ainda que seja composto por muitas partes, não despreza nenhum de seus membros, mas, conservando-os todos em irrompível unidade, mantendo-se sempre unidos, como poderia ocorrer na natureza de Deus tamanha batalha e discórdia? Ora, se a natureza dos deuses é uma, não deve um deus perseguir outro deus, nem degolá-lo ou machucá-lo. E se os deuses têm perseguido uns aos outros, e se degolaram, roubaram e foram fulminados, já não há uma só natureza, mas pareceres divididos e todos maléficos, de forma que nenhum deles é Deus. Portanto, é claro - ó Rei - que toda a teoria sobre a natureza desses deuses é puro extravio.
E como não compreenderam os gregos sábios e eruditos que, ao estabelecer leis, seus deuses são condenados por essas leis? Pois se as leis são justas, são absolutamente injustos os seus deuses que fizeram coisas contra a lei, como mortes mútuas, feitiçarias, adultérios, roubos e uniões contra a natureza; e se tudo isto que fizeram foi bom, então as leis é que são injustas porque vão contra os deuses. Porém não é isto que ocorre: as leis são boas e justas, pois louvam o bom e proíbem o mau, e as obras dos deuses são ímpias. Ímpios são, portanto, os seus deuses; todos são réus de morte; ímpios também são aqueles que introduzem semelhantes deuses, porque se as histórias que são contadas são mitos, então os deuses não são nada mais que palavras; e se são físicas, já não são deuses os que tais coisas fizeram ou sofreram; e se são alegorias, são estórias e nada mais.
Fique provado então - ó Rei - que todos estes cultos para muitos deuses são obras que extraviam e levam à perdição, pois não se deve chamar deuses às coisas visíveis que não vêem, mas deve-se adorar ao Deus invisível que tudo vê e criou.
O DEUS DOS JUDEUS E SEUS DEVIOS DA VERDADE
XIV. Abordemos também - ó Rei - os judeus, para ver o que estes, por sua vez, pensam a respeito de Deus. Estes, sendo descendentes de Abraão, Isaac e Jacó, viveram como forasteiros no Egito e dali Deus os retirou com mão poderosa e braço excelso por meio de Moisés, legislador deles, e por muitos prodígios e sinais lhes deu a conhecer o seu poder. Entretanto, mostrando-se também eles desconhecidos e ingratos, muitas vezes serviram aos cultos de outras nações e mataram os justos e profetas que lhes foram enviados.
Assim, quando o Filho de Deus veio sobre a terra, após o insultarem, entregaram-no a Pôncio Pilatos, governador romano, e o condenaram à morte de cruz, não respeitando os benefícios que ele lhes havia feito, nem as incontáveis maravilhas que operara entre eles; desta forma, pereceram por sua própria iniqüidade. Com efeito, continuam ainda agora a adorar o único Deus onipotente, porém não segundo o cabal conhecimento, já que negam a Cristo, Filho de Deus; são semelhantes aos gentios, embora, de certo modo, pareçam cercar-se da verdade de que, entretanto, se afastaram. Isto é o suficiente sobre os judeus...
O DEUS VIVO DOS CRISTÃOS E SEUS COMPORTAMENTOS
XV. Os cristãos, por sua parte, contam sua origem a partir do Senhor Jesus Cristo; este é professado como sendo Filho do Deus Altíssimo no Espírito Santo, descido do céu para a salvação dos homens. Foi gerado de uma virgem santa, sem gérmen nem corrupção; fez-se carne e apareceu aos homens, para afastá-los do erro da existência de muitos deuses. E, tendo cumprido sua admirável missão, sofreu a morte da cruz por desígnio voluntário, segundo uma maravilhosa economia, e, após três dias, ressuscitou e subiu aos céus. A glória de sua vinda poderás - ó Rei - conhecê-la, se lerdes o que entre eles [=os cristão] se chama Escritura Evangélica.
Este [Jesus] teve doze discípulos, os quais, após sua ascensão aos céus, percorreram as províncias do Império e ensinaram a grandeza de Cristo, de forma que um deles percorreu esta nossa região pregando a doutrina da verdade. Daí que os que servem à justiça de sua pregação são chamados "cristãos". E estes são os que tem falado a verdade em todas as nações da terra, pois conhecem o Deus criador é artífice do universo em seu Filho Unigênito e no Espírito Santo; eles não adoram outro Deus senão este.
Os mandamentos do mesmo Senhor Jesus Cristo trazem gravados em seus corações e são praticados, esperando a ressurreição dos mortos e a vida do século que há de vir. Não cometem adultério, não fornicam, não levantam falso testemunho, não cobiçam os bens alheios, honram o pai e a mãe, amam aos seus próximos e julgam com justiça.O que não querem que se lhes façam, não fazem aos outros. Aos que os ofendem, os exortam e tentam ser amigos; empenham-se em fazer o bem aos seus inimigos, são mansos e modestos. Se afastam de toda união ilegítima e de toda impureza. Não desprezam a vida, não desamparam o órfão. Os que tem compartilham abundantemente com os que não tem. Se vêem um forasteiro, o acolhem sob seu teto e se alegram com ele como um verdadeiro irmão, pois não se chamam irmãos segundo a carne, mas segundo a alma...
Estão dispostos a dar suas vidas por Cristo porque guardam com firmeza os seus mandamentos, vivendo santa e justamente segundo o que lhes ordenou o Senhor Deus. A Ele são dadas graças a todo momento, por toda comida e bebida, bem como pelos demais bens... Este é, portanto, verdadeiramente o caminho para o reino eterno, prometido por Cristo para a vida vindoura.
E, para que saibas - ó Rei - que não digo estas coisas por minha própria conta, inclina-te sobre as Escrituras dos cristãs e verificarás que não digo nada além da verdade.
CONCLUSÃO
XVI. Assim, com toda razão compreendeu o teu filho e foi ensinado a servir o Deus vivo, para salvar-se no século que está por vir. Eis que grandes e maravilhosas são as coisas pregadas e operadas pelos cristãos, pois não pregam palavras de homens, mas sim a de Deus. Pelo contrário, as demais nações erram e a si mesmas se enganam pois, andando nas trevas, se chocam uns contra os outros como bêbados.
XVII. Até aqui - ó Rei - dirigi-te este meu discurso, cuja verdade foi trazida à minha mente. Por isso, que os teus sábios insensatos parem imediatamente de falar contra o Senhor, pois convém a todos vós venerar o Deus Criador e oferecer tudo às suas palavras incorruptíveis a fim de que, escapando do juízo e dos castigos, sejais declarados herdeiros da vida imperecível
fim
Assinar:
Postagens (Atom)

.jpg)
.jpg)
.jpg)